A- A+

A trajetória política de João Goulart
<<  Vítor Nunes Leal

Vítor Nunes Leal nasceu em Alvorada, município de Carangola (MG), em 11 de novembro de 1914, filho de Nascimento Nunes Leal e de Angelina de Oliveira Leal. Ainda estudante de Direito, trabalhou na equipe do advogado Pedro Batista Martins, autor do projeto do Código de Processo Civil. Foi redator-chefe da Rádio Tupi e redator dos jornais cariocas Diário da Noite, Diário de Notícias e O Jornal.

Bacharelou-se em 1936, passando a exercer a advocacia. Integrou nessa época a redação da Revista Forense e a equipe que fundou a Revista de Direito Administrativo. Em 1939 tornou-se oficial-de-gabinete do ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, cargo que exerceu até o ano seguinte, quando foi nomeado primeiro diretor do recém-formado Serviço de Documentação desse ministério. Pouco depois, foi convidado para reger interinamente a cadeira de política da Faculdade Nacional de Filosofia, na qual se efetivou por concurso em 1943.

Vítor Nunes foi professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército em 1955, ministrando também conferências na Escola Superior de Guerra (Esg). Entre março e novembro de 1956 exerceu as funções de procurador-geral da justiça do Distrito Federal, assumindo em seguida a chefia do Gabinete Civil do presidente da República, Juscelino Kubitschek. Nesse cargo, supervisionou a preparação do orçamento anual da União apresentado pelo presidente ao Congresso Nacional, e coordenou o encaminhamento de todos os problemas políticos levados à presidência.

Em maio de 1958 foi enviado a Washington para entregar ao presidente Dwight Eisenhower uma carta em que Kubitschek ressaltava o papel da luta contra o subdesenvolvimento na consolidação de regimes democráticos no continente, e reafirmava a necessidade de os Estados Unidos participarem da Operação Pan-Americana (Opa), voltada para a assistência aos países latino-americanos.

Foi o primeiro presidente do Instituto de Ciências Sociais, criado em 1959 e depois transformado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em agosto de 1959, poucos meses antes da mudança da capital para Brasília, deixou seu cargo no Gabinete Civil, sendo nomeado advogado da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, procurador do Tribunal de Contas do novo Distrito Federal e, depois, consultor-geral da República, cargo que exerceu de fevereiro a outubro de 1960.

Em 7 de dezembro de 1960 foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Integrou o grupo de professores e cientistas que formulou e implementou o projeto da Universidade de Brasília em 1962, tornando-se, em seguida, regente da cadeira de ciência política e, mais tarde, da cadeira de direito constitucional dessa instituição.

Em 31 de março de 1964 o presidente João Goulart foi deposto por um movimento político-militar que levou o general Humberto Castelo Branco ao poder. Vítor Nunes permaneceu no STF que, no período seguinte, concedeu vários habeas-corpus a presos políticos. Em 1966 foi designado para compor o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Vítor Nunes e seus colegas Hermes Lima e Evandro Lins e Silva foram aposentados compulsoriamente dos cargos que ocupavam no STF em de janeiro de 1969, por decreto do presidente Artur da Costa e Silva baseado nos poderes excepcionais que o Ato Institucional nº 5 (AI-5) lhe conferia. Afastado também da UFRJ, passou a dedicar-se à advocacia em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Em novembro de 1976 tornou-se membro da Academia Mineira de Letras.

Foi sócio do Instituto dos Advogados de Brasília, do Instituto dos Advogados Brasileiros e da Associação dos Advogados de São Paulo, e membro do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foi também advogado da Prefeitura do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal, em Brasília.

Casou-se em primeiras núpcias com a professora Julimar Torres Nunes Leal e, em segundas núpcias, com Gilda Thibau. Teve uma filha. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 17 de maio de 1985.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

NOSSAS REDES  
Instagram Twitter Facebook Youtube Flickr Moodle        

 

 

   

 

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
RIO: Praia de Botafogo, 190, 14º andar, Rio de Janeiro - RJ - 22250-145 • Tels. (21) 3799.5676
SÃO PAULO: Avenida Paulista, 1471, 1º andar, Bela Vista - São Paulo - 01311-200 • Tel: (11) 3799 -3755
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2017. Todos os direitos reservados • Usando: Drupal! • Use versões recentes do IE, Firefox, Chrome, Opera
Lista de URLs do CPDOC Busca: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/page-sitemap

Portal FGVENG

Escolas FGV

Acompanhe na rede