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A trajetória política de João Goulart

<<  Silvio Heck

Sílvio de Azevedo Heck nasceu no dia 30 de outubro de 1905, no Rio de Janeiro, filho de Conrado Heck e de Cecília Avelar de Azevedo Heck.

Cursou a Escola Naval entre 1923 e 1927. Em 1932, participou das operações navais de repressão à Revolução Constitucionalista de São Paulo, realizadas no litoral paulista. Especializado na operação de submarinos, entre 1943 e 1945 tomou parte nas manobras navais destinadas a guarnecer o Atlântico Sul das incursões dos submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1946 foi destacado para o Escritório de Compras da Marinha, em Washington. De volta ao Brasil, cursou a Escola de Guerra Naval entre 1948 e 1949. Em 1951 foi empossado na chefia da Capitania dos Portos do Estado da Bahia e no cargo de delegado do Trabalho Marítimo do estado. Em 1952, foi designado para servir no Estado Maior da Armada.

A instabilidade que marcava a política brasileira desde o suicídio do presidente Getúlio Vargas (24/08/1954), agravou-se em 1955 em virtude do pleito presidencial de outubro. Após a vitória da chapa formada por Juscelino Kubitschek e João Goulart, considerados herdeiros do getulismo, a tensão evoluiu para um conflito aberto. Na madrugada de 11 de novembro, o general Henrique Lott, ministro da Guerra demissionário, depôs o presidente em exercício Carlos Luz, acusado de envolvimento numa trama que visava impedir a posse dos eleitos. Acuados, os políticos e militares comprometidos com a conspiração embarcaram no cruzador Tamandaré, comandado por Sílvio Heck, e rumaram para Santos (SP), na expectativa de que o governador paulista Jânio Quadros os apoiasse. Todavia, Luz foi declarado impedido para o exercício da presidência pelo Congresso, e ainda no dia 11 o vice-presidente do Senado Nereu Ramos foi empossado no cargo. Na madrugada do dia 12, chegou a informação de que o porto de Santos estava ocupado por tropas fiéis a Lott. Vendo a situação perdida, Luz ordenou que o navio retornasse ao Rio, onde aportou na manhã do dia 13. Embora tenha tomado parte ativa no 11 de Novembro ao lado da facção derrotada, Heck continuou no comando do Tamandaré até fevereiro de 1956, logo após a posse de Kubitschek.

Sílvio Heck foi o titular do Ministério da Marinha durante o curto governo de Jânio Quadros, de janeiro a agosto de 1961. Com a renúncia de Quadros (25/08/1961), Heck e os ministros da Guerra, marechal Odílio Denis, e da Aeronáutica, brigadeiro Gabriel Grün Moss, formaram uma junta militar que vetou a investidura do vice-presidente João Goulart sob a alegação de que ela arrastaria o país à guerra civil. Como Goulart encontrava-se no exterior em missão oficial, a presidência foi confiada interinamente a Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Os setores que defendiam a posse do vice-presidente articularam então um movimento pró-legalidade, que teve no Rio Grande do Sul, estado governado por Leonel Brizola, cunhado de Goulart, seu principal ponto de apoio.

A junta pretendia proibir que Goulart voltasse ao Brasil, o que tornaria necessária a realização de eleições a fim de se escolher um novo presidente, mas para que essa posição se impusesse era necessária a mais completa unidade no interior das forças armadas. Mas isso não aconteceu. No Rio Grande do Sul, os comandos do Exército e da Aeronáutica aderiram ao movimento legalista, colocando o país sob a ameaça de guerra civil. No Congresso, comissão constituída por deputados e senadores com a missão de estudar o veto militar a Goulart manifestou-se contra a pretensão da junta, vindo a propor, como solução para a crise, a adoção do regime parlamentarista, aprovado em 2 de setembro pelo Congresso. No dia 5, os ministros militares acataram o parlamentarismo e garantiram o desembarque de Goulart em Brasília e a sua investidura na presidência. João Goulart foi empossado no dia 7 e no dia 8 os ministros militares foram exonerados.

Heck passou então a desenvolver cerrada oposição a Goulart, mantendo encontros com militares e também com empresários de São Paulo e do Rio, que viam com desconfiança o apoio que o presidente buscava nos sindicatos e nas organizações populares. Ao longo de 1963, Heck aproximou-se dos conspiradores militares, como o general Olímpio Mourão Filho, que viria a se constituir num dos principais artífices da queda de Goulart, em 31 de março de 1964. No início de abril, Heck foi nomeado membro do Conselho do Almirantado, função que exerceu até 1965. Integrante da chamada "linha dura", grupo de militares favoráveis à radicalização das medidas de exceção, opôs-se ao presidente, general Humberto Castelo Branco, considerado tolerante com os partidários do governo deposto.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de julho de 1988.

Era casado com Lígia Trompowsky, com quem teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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