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A trajetória política de João Goulart
<<  Roberto Morena

Roberto Morena nasceu no dia 07 de junho de 1902, no Rio de Janeiro, filho de Giovanni Morena e de Clementina Donadio.

Iniciou sua militância política em 1917, destacando-se na organização dos trabalhadores marceneiros e entalhadores. Em 1924, ingressou, no clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil. Preso em 1932 na ilha Grande (RJ) em função de sua participação na organização da greve da São Paulo Railway, foi posto em liberdade em 1934, ano em que se exilou no Uruguai, onde foi detido duas vezes. De volta ao Brasil, assumiu em fins de 1935 um posto na direção do PCB no Rio Grande do Sul, onde se encontrava por ocasião do levante comunista, que eclodiu em novembro desse ano no Nordeste e no Rio de Janeiro.

Novamente preso em 1936, permaneceu detido no Rio de Janeiro até junho de 1937. Em outubro, seguiu para a Espanha para combater, ao lado das forças republicanas, na Guerra Civil Espanhola. Com o final da guerra em março de 1939 e a vitória dos franquistas, refugiou-se na Argélia. Nesse mesmo ano, radicou-se na União Soviética, onde passou a trabalhar em uma fábrica de tratores.

De volta ao Brasil, assumiu em 1943 o trabalho de reorganização do PCB, duramente atingido pela repressão do Estado Novo (1937-1945), sendo novamente preso. Eleito em 1945 para a direção do partido no Rio de Janeiro, tornou-se secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), fundada na ocasião. Com a repressão proveniente da política anticomunista do governo do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) e o fechamento da CTB, exilou-se em 1947 no México,

Retornando ao Brasil em 1950, elegeu-se no pleito de outubro desse ano deputado federal pelo Distrito Federal, na legenda do Partido Republicano Trabalhista. Encerrou seu mandato em janeiro de 1955, não retornando à Câmara. Ainda nesse ano, participou da Liga de Emancipação Nacional, entidade fundada no ano anterior e fechada em junho pelo presidente Juscelino Kubitschek, acusada de infiltração comunista.

Atuando no início da década de 1960 na vanguarda do movimento sindical brasileiro, como membro do Comando Geral dos Trabalhadores e dirigente do Pacto de Unidade e Ação, participou, durante o governo do presidente João Goulart (1961-1964), da organização das duas greves gerais. Foi também conselheiro do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários. Com o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs Goulart, teve em abril seus direitos políticos suspensos através do Ato Institucional nº 1. Deixando o Brasil nesse mesmo ano, exilou-se no Uruguai, onde permaneceu por três anos. Eleito no VI Congresso do PCB, realizado em 1967 em plena clandestinidade, para o comitê central da organização, viveu durante um ano no Chile, transferindo-se a seguir para a Tchecoslováquia, onde passou a representar o Brasi junto à Federação Sindical Mundial.

Faleceu em Praga no dia 5 de setembro de 1978 e seu corpo foi cremado. As cinzas só foram sepultadas em solo brasileiro, como era seu desejo, em junho de 1980, depois da anistia política decretada em agosto de 1979.

Era casado com Maria Eugênia Morena, com quem teve um filho.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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