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A trajetória política de João Goulart

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Peri Constant Bevilacqua nasceu no dia 9 de junho de 1899, no Rio de Janeiro, filho de José Bevilacqua e de Alcida Constant Bevilacqua.

Cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, formando-se em 1919. Fez ainda o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais em 1925 e o da Escola de Estado-Maior do Exército (1926-1929). Foi oficial-de-gabinete da Junta Governativa Provisória, que governou o país entre a deposição do presidente Washington Luís em 24 de outubro de 1930 e 3 de novembro, quando a Getúlio Vargas, chefe da vitoriosa Revolução de 1930, assumiu o poder.

Em 1938, tornou-se oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Eurico Dutra, exercendo a função até 1940. Entre este ano e 1943 participou da defesa do litoral brasileiro, parte do esforço de guerra do governo durante a Segunda Guerra Mundial. Comandante do Grupamento de Oeste da Artilharia de Costa da 1ª RM, no Rio de Janeiro, entre 1948 e 1952, em 1956 cursou a Escola Superior de Guerra. Em 1961, recebeu o comando da 3ª Divisão de Infantaria, em Santa Maria (RS).

Durante a crise que se instalou no país após a renúncia do presidente Jânio Quadros em (25/8/1961), agravada pelo veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, Bevilacqua foi o primeiro oficial-general a se opor a tentativa de violação da Constituição. A crise foi superada com a aprovação pelo Congresso, em 2 de setembro, de emenda constitucional que, instituindo o parlamentarismo, garantiu, no dia 7, a posse de Goulart.

Em maio de 1962, como representante da corrente nacionalista, Bevilacqua disputou a eleição para a presidência do Clube Militar, mas foi derrotado. Em setembro, assumiu o comando do II Exército, com sede em São Paulo. Indispondo-se cada vez mais com o movimento sindical, em dezembro de 1963 foi afastado do cargo e em seguida nomeado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas , posto que não lhe dava comando de tropas.

No final da tarde de 31 de março de 1964, Bevilacqua alertou Goulart para a necessidade dele optar imediatamente ou pelas forças armadas ou pelos sindicatos. Nesse mesmo dia, o governo foi derrubado. Em 15 de abril, o general Humberto Castelo Branco assumiu a presidência e convidou Bevilacqua a continuar na chefia do EMFA. Em 1965, foi empossado ministro do Superior Tribunal Militar (STM), manifestando-se por diversas vezes contra os inquéritos policial-militares que investigavam as atividades de civis e contra o julgamento de civis por autoridades militares.

Em janeiro de 1969, foi aposentado do cargo de ministro do STM, atingido pelo Ato Institucional nº 5, editado em 13 de dezembro do ano anterior. Em maio, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição. Em fevereiro de 1978, lançou o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), criado com o objetivo de trabalhar pela anistia dos atingidos pelos atos de exceção que vigoravam desde 1964. Ele não integrou o CBA, mas percorreu diversas cidades do país discursando em favor de uma anistia "ampla, geral e irrestrita". Finalmente, o decreto de anistia foi assinado pelo presidente da República, general João Batista Figueiredo, em 28 de agosto de 1979. Em novembro de 1980, foi-lhe concedida aposentadoria como ministro do STM.

Faleceu no Rio de Janeiro em 27 de abril de 1990.

Era casado com Naída de Escobar Bevilacqua, com quem teve cinco filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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