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A trajetória política de João Goulart

<<  Pedro Paulo de Araújo Suzano

Pedro Paulo de Araújo Suzano nasceu em 6 de novembro de 1903, no Rio de Janeiro, filho de Oscar Osvaldo Suzano e de Celina de Araújo Suzano.

Ingressou na Escola Naval em 1918, saindo guarda-marinha em 1922, quando participou do bombardeio ao Forte de Copacabana, onde se concentravam os tenentes rebelados. Em 1924, durante a revolta liderada pelo general Isidoro Dias Lopes e pelo major Miguel Costa em São PAulo, contra o governo de Artur Bernardes, comandou uma seção de artilharia das tropas legalistas na retomada da capital do estado. Em 1927, tomou parte em vários combates à Coluna Prestes, contingente revolucionário que lutava contra o governo federal.

Em 1932, lutou ao lado dos rebeldes em São Paulo, contra o Governo Provisório instaurado por Getúlio Vargas, após a Revolução de 1930, sendo por isso preso. Voltou às atividades em 1932, beneficiado pela anistia concedida por Vargas. Em 1942, chefiou o Departamento Escolar e o Corpo de Alunos da Escola Naval do Rio de Janeiro, deixando este cargo para assumir o comando da corveta Carioca, a qual realizou o patrulhamento do Atlântico Sul, durante a Segunda Guerra Mundial.

Subchefe do Estado-Maior da Armada (EMA) e aluno da Escola Superior de Guerra (ESG), em 1954 e 1955, no ano seguinte, durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), foi designado adido naval junto à embaixada do Brasil em Washington e, em seguida, no Canadá, onde permaneceu até 1959. Em 1960, foi nomeado comandante-em-chefe da Esquadra até 1961, quando assumiu a chefia do EMA.

Com a renúncia do presidente Jânio Quadros em agosto de 1961, os ministros militares vetaram a posse do vice-presidente João Goulart. Tal fato provocou o protesto de vários setores, que passaram a exigir o cumprimento dos dispositivos da Constituição de 1946. Na área militar do estado da Guanabara, Suzano e o brigadeiro Francisco Teixeira, seu velho companheiro, lideraram o movimento pela posse de Goulart, o que acabou por levá-los à prisão. A crise política foi contornada com a promulgação da Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, que instituiu o regime parlamentarista, limitando os poderes presidenciais. Goulart tomou posse em 7 de setembro e Tancredo Neves assumiu o cargo de primeiro-ministro. No final desse mês Suzano foi nomeado secretário-geral do Ministério da Marinha.

Em julho de 1962, Francisco de Paula Brochado da Rocha, que substituíra Tancredo Neves no cargo de primeiro-ministro, nomeou Suzano para a pasta da Marinha. Susano ficou à frente do ministério até junho de 1963, já na fase presidencialista do governo de Jango. Durante a sua gestão, apoiou a maioria das medidas nacionalistas do presidente, como a Lei de Remessa de Lucros e a implantação das reformas de base. Foi ainda no seu período como ministro que o contra-almirante Cândido Aragão se destacou entre os setores nacionalistas, sendo nomeado em outubro de 1962 comandante do Corpo de Fuzileiros Navais. Sua participação, juntamente com Aragão, marinheiros e fuzileiros navais nas comemorações da anistia concedida por Goulart aos marinheiros que participaram da revolta de 25 de março de 1964, teve ampla divulgação pela imprensa. O conseqüente agravamento da crise política levou à deflagração do golpe militar de 31 de março que derrubou Goulart.

No dia 14 de abril, cinco dias após a edição do Ato Institucional nº 1, foi divulgada a segunda lista de cassações, onde figuravam os nomes de 24 oficiais das forças armadas, entre os quais Suzano. Além de reformado, o ex-ministro teve seus direitos políticos suspensos por dez anos.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de janeiro de 1978.

Era casado com Jovina de Albuquerque Suzano, com quem teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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