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A trajetória política de João Goulart
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Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, em Recife (PE), filho de Joaquim Temístocles Freire e de Edeltrudes Neves Freire.

Ingressou aos 22 anos na Faculdade de Direito de Recife. Durante o curso, começou a dar aula no Colégio Oswaldo Cruz, onde havia estudado na adolescência. Entre 1947 e 1954, trabalhou no Serviço Social da Indústria (SESI) como diretor do setor de educação e cultura. Superintendente da instituição de 1954 a 1957, foi no SESI que ele tomou contato com a educação de adultos.

Paralelamente a sua carreira no SESI, Freire assumiu diversos cargos públicos. Em 1956, foi nomeado membro do Conselho Consultivo de Educação do Recife e em 1961, diretor da Divisão de Cultura e Recreação do Departamento de Documentação e Cultura da capital pernambucana. Seu primeiro contato com a educação superior foi lecionando filosofia da educação,na Escola de Serviço Social da Universidade do Recife. Em 1959, doutorou-se em filosofia e história da educação, sendo nomeado nesse mesmo ano professor efetivo de história e filosofia da educação da Escola de Belas Artes. No início da década de 1960, foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular de Recife.

Em 1963, foi nomeado pelo governador de Pernambuco, Miguel Arraes, um dos conselheiros pioneiros do Conselho Estadual de Educação, responsáveis pela elaboração do primeiro regimento do orgão, finalizado em março de 1964. Nesse período, encontrava-se em Brasília envolvido no Programa Nacional de Alfabetização, quando estourou o golpe militar que depôs o presidente João Goulart no dia 31 daquele mês. Arraes foi preso e o vice-governador Paulo Guerra, empossado no governo estadual, afastou Paulo Freire do Conselho Estadual de Educação.

Seu inovador método de alfabetização - conhecido como Método Paulo Freire – envolve não apenas a leitura da palavra, mas tambem a leitura do mundo, o que significa o desenvolvimento da consciência crítica. A formação dessa consciência leva as pessoas a questionarem a natureza da sua situação social, e elas passam a se ver como sujeitos na construção de uma sociedade realmente democrática. Considerado subversivo pelos militares, Freire foi preso logo após o golpe, permanecendo detido por 72 dias. Depois de liberado, deixou o país, fixando-se no Chile, onde trabalhou no Instituto Chileno para a Reforma Agrária. Lá escreveu Educação como prática da liberdade (1967) e a sua principal obra, Pedagogia do oprimido, publicada em espanhol e em inglês em 1970, mas em português apenas em 1974.

Em 1969, fixou-se nos Estados Unidos, onde lecionou na Universidade de Harvard. Em 1970, passou a residir em em Genebra, na Suíça, como consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial de Igrejas. Nos dez anos seguintes, foi também consultor educacional em diversos países, principalmente africanos.

Em 1980, retornou ao Brasil. Nesse mesmo ano, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e passou a lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade de Campinas, onde permaneceria até 1990. Secretário de Educação do municipio de São Paulo na gestão da prefeita Luisa Erundina, do PT, entre 1989 e 1991, neste ano foi reincorporado ao cargo de diretor do Serviço de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, do qual havia sido demitido após o golpe de 1964. Logo em seguida, aposentou-se. Ainda em 1991, foi criado em São Paulo o Instituto Paulo Freire.

Reconhecido mundialmente, recebeu por seu trabalho diversos prêmios e homenagens.

Faleceu no dia 2 de maio de 1997, em São Paulo.

Foi casado com Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos. Viúvo, casou-se com Ana Maria Araújo Freire.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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