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A trajetória política de João Goulart
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Nei Neves Galvão nasceu no dia 22 de março de 1902, em Rio Pardo (RS), filho de Mário Galvão Neves e de Afonsina Neves Galvão.

Descendente da tradicional família de militares Andrade Neves, ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Participante da revolta de 5 de julho de 1922, que envolveu o forte de Copacabana e efetivos da Vila Militar, foi desligado do Exército. De volta a seu estado natal, ingressou no Banco da Província do Rio Grande do Sul, no qual faria longa carreira, que culminou em 1953, quando tornou-se superintendente desse estabelecimento. Em 1959 exerceu a presidência do Sindicato dos Bancos do Rio Grande do Sul.

Amigo íntimo do recém-empossado presidente João Goulart, em 12 de setembro de 1961, Nei Galvão foi nomeado para a presidência do Banco do Brasil. Em julho de 1963, o agravamento da crise econômica e política levou o governo federal a modificar a composição do ministério. Na pasta da Fazenda, Francisco de San Tiago Dantas foi substituído por Carlos Alberto de Carvalho Pinto. Nessa ocasião, Nei Galvão foi substituído na presidência do Banco do Brasil por Nilo Medina Coeli.

O plano de combate à inflação formulado por Carvalho Pinto encontrou fortes resistências por parte dos banqueiros, ao mesmo tempo em que o governo dos Estados Unidos — contrariado com o adiamento da compra da American and Foreign Power Company (Amforp) pelo Brasil e a iminente regulamentação da lei de remessa de lucros — dificultava o reescalonamento da dívida externa brasileira. Em dezembro de 1963, Carvalho Pinto renunciou. Para o seu lugar, ao invés de atender aos setores que reivindicavam a indicação do deputado Leonel Brizola, Goulart nomeou Nei Galvão.

Entre os seus objetivos prioritários, estavam o incremento das exportações, o fortalecimento do mercado de títulos e o financiamento à agricultura de subsistência. Para enfrentar a inflação crescente, tentou, sem êxito, estabelecer o tabelamento de preços dos produtos de primeira necessidade. Com o objetivo de renegociar o pagamento da dívida externa, reabriu as negociações com o Fundo Monetário Internacional, suspensas desde a gestão de Carvalho Pinto. Entretanto, as tentativas brasileiras esbarravam na posição do governo norte-americano, contrariado com o decreto assinado por Goulart em dezembro de 1963 determinando uma profunda revisão na política de concessões às empresas de mineração, e com a regulamentação, em janeiro de 1964, da lei de remessa de lucros.

Diante da crescente mobilização social a favor das chamadas reformas de base defendidas pelo governo, a oposição endurecia suas posições e, afirmando a proximidade do caos e o aumento da influência dos comunistas no país, ampliou sua base de apoio junto às classes médias, empresários e militares. Esse processo resultou no golpe militar que em 31 de março de 1964 derrubou João Goulart. No novo governo, a pasta da Fazenda foi ocupada por Otávio Gouveia de Bulhões, e Nei Galvão retirou-se da vida pública.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 6 de setembro de 1990.

Foi casado com Judite Moreira Galvão, com quem teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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