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A trajetória política de João Goulart
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Aurélio de Lira Tavares nasceu no dia 7 de novembro de 1905, em Paraíba, atual João Pessoa, filho de João de Lira Tavares e de Rosa Amélia Tavares de Lira.

Aspirante-a-oficial da arma de engenharia pela Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1925, bacharelou-se em 1929 em ciências jurídicas e sociais, pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, em engenharia civil, pela Escola Politécnica, também no Rio.

Em 1939, diplomou-se na Escola de Estado-Maior, passando a atuar, em 1943, como observador militar do Exército brasileiro junto às forças norte-americanas envolvidas na Segunda Guerra Mundial, nas operações de invasão do norte da África. Em seguida participou das tarefas de organização da Força Expedicionária Brasileira. Com o fim da guerra, assumiu, em 1945, a subchefia e, em 1947, a chefia da missão militar brasileira junto ao Conselho de Controle Aliado, na Alemanha, cargo que ocupou até 1948. Chefe da 4a Seção do Estado-Maior das Forças Armadas entre 1952 e 1955, neste último ano foi nomeado chefe de gabinete do Estado-Maior do Exército (EME). Diretor de Comunicações do Exército (1958-1960) e chefe do Estado-Maior do I Exército (1960-1961), afastou-se desta função em setembro de 1961, no início do governo de João Goulart (1961-1964).

Diretor de Ensino e Formação do Exército (1961) e comandante da 2ª RM, sediada em São Paulo (1962-1963), em março de 1963 foi nomeado primeiro subchefe do EME, então sob a chefia do general Humberto Castelo Branco. Ainda nesse ano exerceu interinamente a chefia do Gabinete Militar, reassumindo em seguida seu cargo no EME. Nesse período, o EME era o centro da conspiração que resultou no golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou Goulart.

Em outubro de 1964, já no governo do general Castelo Branco, tornou-se comandante do IV Exército, sediado em Recife. Comandante da Escola Superior de Guerra (ESG), entre setembro de 1966 e março de 1967, nesse mês assumiu o ministério do Exército, a convite do presidente da República, general Artur da Costa e Silva, que então iniciava seu mandato.

O governo Costa e Silva foi marcado por grande instabilidade política. Em março de 1968, a tensão aumentou, quando, durante uma manifestação estudantil no Rio de Janeiro, a intervenção da Polícia Militar resultou na morte de um estudante. Em fins de junho foi realizada a Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação contra o regime até então registrada. Em setembro, a situação foi agravada pela denúncia do deputado oposicionista Márcio Moreira Alves, que responsabilizava os militares pelas violências contra os estudantes. Ainda em setembro, Lira Tavares presidiu a abertura da VIII Conferência dos Exércitos Americanos. No encontro, foi aprovada a troca de informações para o combate à subversão na América Latina.

Como em 13 de dezembro a Câmara dos Deputados não concedeu licença para que o governo processasse Márcio Moreira Alves, nesse mesmo dia Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretando a suspensão de uma série de garantias constitucionais e do habeas-corpus. Como ministro, Lira Tavares foi um dos signatários do AI-5. No final de agosto de 1969, Costa e Silva caiu gravemente doente e o Alto Comando das Forças Armadas, alijando o vice-presidente Pedro Aleixo do processo sucessório, decidiu confiar a chefia do governo a uma junta militar, composta por Lira Tavares e mais os ministros da Marinha, Augusto Rademaker, e da Aeronáutica, Márcio de Sousa.

A situação política foi agravada pelo seqüestro do embaixador dos EUA, Charles Elbrick em 4 de setembro. Os seqüestradores condicionaram a libertação do diplomata à soltura de 15 presos políticos e à divulgação de um manifesto com pesadas críticas ao governo. Pressionado pelo governo norte-americano, a junta militar acabou cedendo às exigências.

Como a saúde de Costa e Silva não apresentava melhora, a junta militar anunciou que o general Emílio Garrastazu Médici, fora escolhido para ocupar a chefia do governo, tendo como vice o almirante Rademaker. O Congresso foi reaberto e no dia 25 de outubro elegeu os dois militares. Pouco antes, no dia 17, a junta militar promulgara a Emenda Constitucional nº1, incorporando dispositivos do AI-5 à Constituição de 1967, a qual, assim modificada, ficou conhecida como a Constituição de 1969. Com a posse do novo governantes, no dia 30 de outubro, Lira Tavares deixou o Ministério do Exército.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em abril de 1970, foi embaixador do Brasil na França deste ano até 1974.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 18 de novembro de 1998.

Era casado com Isolina Lira Tavares. Teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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