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A trajetória política de João Goulart
<<  José Anselmo dos Santos

José Anselmo dos Santos nasceu no dia 13 de fevereiro de 1941, em Sergipe, filho de Joana Balbina dos Santos.

Em 1958 sentou praça na Marinha, no Rio de Janeiro. Em 1962, filiou-se à Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB) e no final do ano tornou-se presidente da entidade. Em 25 de março de 1964, durante as comemorações do 2º aniversário da AMFNB no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, protestou contra a punição imposta a 12 dirigentes da associação que se haviam posicionado publicamente a favor das reformas de base propostas pelo presidente da República João Goulart. Os marinheiros presentes decidiram não acatar a ordem de prisão dada aos colegas e permanecer no prédio do sindicato. No dia 26, parte dos fuzileiros navais enviados pelo ministro da Marinha, almirante Sílvio Mota, para reprimir o levante aderiu ao movimento. Diante da recusa do comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante Cândido Aragão, em sufocar o motim, Sílvio Mota recorreu à Polícia do Exército e demitiu Aragão.

Goulart acabou se colocando ao lado dos marinheiros, gerando uma crise na Marinha que culminou com a saída de Sílvio Mota. No dia 27, o presidente nomeou o almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues para a pasta, reconduziu Cândido Aragão ao comando do Corpo de Fuzileiros Navais e ordenou a libertação dos amotinados. No dia 28, José Anselmo, então chamado "cabo" Anselmo, liderou uma passeata de marinheiros pelo centro do Rio, e no dia 30 esteve ao lado de Goulart no ato promovido pela Associação de Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar, no Automóvel Clube do Rio de Janeiro. No dia 31, o presidente foi derrubado pelos militares.

Cassado pelo Ato Institucional nº 1 em abril, José Anselmo asilou-se na embaixada do México. Quinze dias depois deixou a embaixada para se integrar na luta contra o novo regime, mas foi preso no dia seguinte. Em março de 1966, fugiu novamente. No final do ano, seguiu para o Uruguai. Em 1967, participou da I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade, realizada em Havana, evento que lançou as bases para a deflagração da guerrilha na América Latina. Ainda em Cuba participou da formação do primeiro núcleo de treinamento de guerrilha da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Retornando ao Brasil em 1970, foi designado para trabalhar em São Paulo. Meses depois, uma onda de prisões e mortes de militantes que tiveram contato com Anselmo levantou suspeitas de que fosse um agente policial infiltrado. Além disso, ele fora visto detido em instalações de órgãos de segurança em São Paulo em junho de 1971, o que tornava inexplicável sua aparição em liberdade dias depois. Ao chegar ao Chile em outubro, para reunir-se com o comando geral da VPR, Anselmo negou o fato.

Em janeiro de 1972, voltou a ser alvo da mesma acusação, dessa vez pela Ação Libertadora Nacional (ALN). Mas foi somente em setembro, após a apresentação de um relatório de testemunhas da sua prisão em 1971, que a VPR decidiu agir, enviando um emissário para avisar os militantes que com ele atuavam que Anselmo era um policial. Dias depois, porém, os órgãos de segurança informaram sobre a morte de militantes da VPR que participavam de um congresso perto de Recife, com a exceção de um, não identificado, provavelmente o próprio Anselmo. Em fevereiro de 1973, a VPR acusou-o formalmente de haver-se tornado, após sua prisão em 1971, agente da Central Intelligence Agency (CIA). Outras fontes afirmam que ele seria um agente do Centro de Informação da Marinha, sob a supervisão da CIA, antes mesmo de 1964.

Na clandestinidade há vários anos, em 1984 a revista IstoÉ publicou uma entrevista do "cabo" Anselmo, na qual ele narrava como passara da luta armada a colaborador dos órgãos de repressão. Desaparecido desde então, só voltou a ser localizado em 1999, pela revista Época, quando confirmou a versão, que anteriormente desmentira, de que havia mudado de lado após a sua prisão, e que fora o principal responsável pelo desmantelamento da VPR e da ALN. Em 1973, como forma de protegê-lo de militantes de esquerda, foi submetido a uma cirurgia plástica e recebeu documentos falsos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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