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A trajetória política de João Goulart

<<  João Pinheiro Neto

João Pinheiro da Silva Neto nasceu em Roma no dia 4 de dezembro de 1928, filho de João Pinheiro da Silva Filho e de Marina Barbará Pinheiro.

Formado em direito em 1951, pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, nesse mesmo ano passou a integrar o gabinete de Juscelino Kubitschek, recém-empossado no governo de Minas Gerais. Em outubro de 1954 candidatou-se sem êxito a deputado estadual em Minas pelo Partido Social Democrático (PSD). Com a posse de JK na presidência da República em janeiro de 1956, foi nomeado oficial do Gabinete Civil do novo governo.

A crise política desencadeada em 25 de agosto de 1961 pela renúncia do presidente Jânio Quadros, e acirrada com o veto dos três ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, foi contornada com a instalação do parlamentarismo e a posse de Jango na presidência, em 7 de setembro, tendo como primeiro-ministro o pessedista Tancredo Neves. Em julho de 1962, Francisco Brochado da Rocha substituiu-o no cargo. O novo ministro do Trabalho, Hermes Lima, convidou João Pinheiro Neto para subsecretário do Trabalho e Previdência Social.

Não conseguindo antecipar o plebiscito que decidiria sobre a continuidade do regime parlamentarista, Brochado da Rocha renunciou em 14 de setembro. A deflagração de uma greve geral pressionou o Congresso, que, nesse mesmo dia, aprovou a antecipação do plebiscito para 6 de janeiro de 1963. Goulart nomeou Hermes Lima para o cargo de primeiro-ministro de um gabinete interino que atuaria até essa data, e Pinheiro Neto substituiu-o na pasta do Trabalho. Em 2 de dezembro, num programa de televisão, Pinheiro Neto acusou o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, o embaixador do Brasil em Washington, Roberto Campos, e o diretor da Superintendência da Moeda e do Crédito, Otávio Gouveia de Bulhões, de manterem o Brasil subordinado ao Fundo Monetário Internacional. Essa declaração desagradou Goulart, que pretendia enviar uma delegação aos EUA para renegociar os empréstimos norte-americanos. Apoiado nos sindicatos, Pinheiro Neto não atendeu ao pedido do presidente para que se exonerasse, mas acabou destituído por Hermes Lima, em 4 de dezembro.

Com a realização do plebiscito em janeiro de 1963, o país voltou ao regime presidencialista. Em julho, João Pinheiro Neto assumiu a presidência da Superintendência da Política Agrária (Supra). Responsável pela implantação da reforma agrária, a Supra passou a ter, durante sua gestão, uma atuação mais agressiva, realizando desapropriações de terras e participando da organização dos trabalhadores rurais. Atendendo à solicitação de Goulart, Pinheiro Neto elaborou um decreto visando à desapropriação de terras nas margens das rodovias e estradas de ferro. No dia 13 de março de 1964, no Comício da Central, Goulart assinou o decreto e anunciou a medida à grande multidão presente.

A crescente mobilização dos setores militares e empresariais contra Goulart culminou na sua deposição, em 31 de março de 1964. O novo governo afastou Pinheiro Neto da direção da Supra e anulou o decreto de 13 de março. Pinheiro Neto, após ter tido os direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional nº 1, foi preso, em Petrópolis (RJ). Liberado em seguida, respondeu a três inquéritos policiais militares.

Responsável pela seção econômica e financeira do Última Hora entre 1968 e 1971, foi também redator econômico da revista Manchete e do Correio da Manhã. Filiado ao novo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em novembro de 1982 concorreu ao Senado pelo Rio de Janeiro, mas não se elegeu.

Casou-se com Leda Maria d’Ávila Pinheiro, com quem teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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