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A trajetória política de João Goulart
<<  Jair Dantas Ribeiro

Jair Dantas Ribeiro nasceu no dia 11 de dezembro de 1900, em São José de Mipibu (RN), filho de Miguel Ribeiro e de Júlia Ribeiro.

Cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, entre 1918 e 1921. Participou da Revolta de 5 de Julho de 1924, em São Paulo, mas não se aliou à ala radical voltando às fileiras do Exército. Nos anos seguintes fez, entre outros cursos, o da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (1927) e o da Escola de Estado-Maior (1932). Em 1936 atuou como adjunto do gabinete da Secretaria do Conselho de Segurança Nacional (CSN).

Entusiasta da educação disciplinar da juventude, foi incumbido de dirigir, em 1939, a Parada da Mocidade, comemoração organizada pelos órgãos oficiais durante o Estado Novo (1937-1945). Em 1942, foi nomeado secretário-geral da Juventude Brasileira, entidade inspirada no fascismo italiano para concorrer com a União Nacional dos Estudantes, mas que não chegou a funcionar. Em 1943 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, comandou o 30º Batalhão de Caçadores, em Fernando de Noronha. Chefe do gabinete de instrução do Centro de Aperfeiçoamento e Especialização de Realengo, entre 1946 e 1947, ocupou, em seguida, o comando do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Entre 1953 e 1955 foi comandante da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ). De 1957 a 1958 foi chefe do estado-maior do I Exército, no Rio de Janeiro. Sob o governo parlamentarista de João Goulart, iniciado em setembro de 1961, Dantas Ribeiro ocupou, a partir de outubro, o comando da 1ª Região Militar, sediada no Rio de Janeiro, aí permanecendo até julho de 1962, quando tornou-se comandante do III Exército, com sede em Porto Alegre.

Desde os primeiros meses do parlamentarismo, Goulart pressionava pelo retorno ao presidencialismo. Sua intenção era antecipar a realização do plebiscito sobre a continuidade do parlamentarismo, previsto para o início de 1965. Finalmente, em 15 de setembro de 1962, pressionado pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), que deflagrara greve geral, o Congresso antecipou o plebiscito para 6 de janeiro de 1963. Realizada na data marcada, a consulta teve como resultado a volta ao regime presidencialista.

Em junho de 1963, em maio a mais uma mudança ministerial, Dantas Ribeiro foi designado ministro da Guerra. Nesse momento, a crise econômica agravava-se, e os índices inflacionários disparavam; por sua vez, a oposição contra o governo tornava-se cada vez mais clara, principalmente por parte da alta oficialidade do Exército. Comprometido com a defesa do governo, Dantas Ribeiro esteve ao lado de Goulart no comício de 13 de março de 1964, realizado no Rio, no qual ficou evidente o apoio do presidente às reformas reivindicadas pelo movimento sindical e pela esquerda. Diante do "perigo comunista", a conspiração militar tomou vulto. No dia 28, a eclosão de uma revolta de marinheiros concentrados no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, não suscitou da parte de Goulart as punições previstas pela disciplina militar, tornando a sua situação insustentável.

Dantas Ribeiro encontrava-se hospitalizado quando Goulart foi deposto. No dia 1º de abril, ao tomar conhecimento pelo rádio da mobilização sindical e estudantil contra o golpe militar, comunicou-se com Goulart e disse estar pronto para apoia-lo desde que o CGT fosse extinto. Como o presidente repeliu a proposta, Dantas Ribeiro comunicou-lhe que não mais se considerava seu ministro da Guerra. Com o triunfo dos golpistas, foi afastado da pasta e, em junho de 1964, teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 1. Nessa mesma data, foi transferido para a reserva e, mais tarde, reformado no posto de general-de-exército.

Faleceu no dia 12 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro.

Era casado com Zulmira Lima Barreto.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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