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A trajetória política de João Goulart

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Israel Pinheiro da Silva nasceu em Caetés (MG) no dia 4 de janeiro de 1896, filho de João Pinheiro da Silva e de Helena de Barros Pinheiro. Formado em 1919 em engenharia civil e de minas, recebeu como prêmio uma viagem à Europa, onde realizou estudos de aperfeiçoamento no setor siderúrgico. De volta ao Brasil, dedicou-se às atividades políticas e empresariais, ligando-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM).

Em 1933, quando Benedito Valadares foi nomeado por Getúlio Vargas interventor federal em Minas Gerais, Israel Pinheiro assumiu a Secretaria da Agricultura, Viação e Obras Públicas deste estado. Empossado em dezembro, permaneceu no cargo até 1935. Em julho de 1942, já sob o Estado Novo, foi deslocado para a presidência da Companhia Vale do Rio Doce, permanecendo no cargo até 12 de fevereiro de 1945, quando retornou a Belo Horizonte, seduzido pela proximidade das eleições anunciadas naquele mês.

Apesar das reformas, o Estado Novo foi derrubado por um golpe militar em outubro de 1945. As eleições foram mantidas, resultando na vitória de Eurico Dutra. O Partido Social Democrático (PSD) venceu por larga margem em Minas Gerais, elegendo 20 deputados à Assembléia Constituinte, inclusive Israel Pinheiro.

Posteriormente, quando Vargas venceu o pleito presidencial de outubro de 1950, Pinheiro foi reeleito deputado federal por Minas Gerais. Renovou seu mandato nas eleições de outubro de 1954, e na legislatura iniciada no ano seguinte viveu uma das fases mais tumultuadas de sua vida política. Estavam previstas eleições presidenciais para esse ano, mas os riscos de rompimento da ordem constitucional eram visíveis, principalmente devido à resistência à candidatura do governador mineiro Juscelino Kubitschek por parte das forças políticas e militares que haviam virtualmente derrubado Vargas. Israel Pinheiro desempenhou importante papel no apoio a Juscelino, assumindo de fato a liderança do PSD em Minas e conseguindo restabelecer sua influência nas decisões políticas nacionais.

A "missão Israel Pinheiro", conforme ficou conhecida na época, afastou os temores quanto à viabilidade de vitória e de posse de Kubitschek na presidência. Na Câmara, sob a liderança de José Maria Alkmin, Israel votou contra todas as medidas propostas para dificultar a eleição de Juscelino representadas, notadamente, pela emenda parlamentarista e pela adoção do critério de maioria absoluta de votos, não previsto pela Constituição.

Ao ser eleito, Juscelino incluiu a transferência da capital da República para o Planalto Central entre as metas prioritárias do seu governo. No dia 18 de abril de 1956 o novo presidente assinou o projeto de lei e o texto da mensagem preparada por Francisco de San Tiago Dantas, submetendo ao Congresso Nacional a transferência da capital para o Planalto e a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), destinada a executar o programa de edificação da cidade. Israel Pinheiro tornou-se presidente da Novacap, deixando assim sua cadeira na Câmara.

No final de 1958 foram concluídos os trabalhos de construção da praça dos Três Poderes e dos edifícios onde seriam instalados os ministérios. Em fevereiro do ano seguinte, a rodovia Belém-Brasília foi inaugurada e as estradas para Fortaleza e Belo Horizonte entraram em fase final de construção, estabelecendo-se assim comunicações rodoviárias diretas entre o Planalto Central e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Sul do país. O processo de integração nacional a partir da nova capital tomou novo impulso com o início da construção, logo a seguir, da Brasília-Acre, somente concluída muitos anos mais tarde.

A abertura dessas rodovias não era a única tarefa da Novacap no terreno das comunicações. As ligações telefônicas de Brasília com o resto do país e do mundo deveriam estar asseguradas antes da data marcada para a inauguração da cidade. Os entendimentos realizados com a Companhia Telefônica Brasileira não tiveram êxito, levando Pinheiro a abrir concorrência internacional em julho de 1959 para a aquisição de equipamentos e a instalação de sistemas de microondas. A ligação telefônica entre Brasília e o Rio de Janeiro foi finalmente completada em 17 de abril de 1960.

Em 21 de abril de 1960 Juscelino Kubitschek inaugurou solenemente a nova capital. Em 7 de maio, Israel Pinheiro foi empossado no cargo de prefeito de Brasília, onde permaneceu até 31 de janeiro de 1961, quando o novo presidente, Jânio Quadros, substituiu-o por Paulo de Tarso Santos.

Sem nenhum cargo de representação política, retornou à atividade privada, ocupando a presidência da Cerâmica João Pinheiro. Apesar de ocupar a vice-presidência do diretório estadual do PSD em Minas, continuou afastado de qualquer atividade política significativa até 1965. Não participou da crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961 nem exerceu função pública durante o governo de João Goulart, mantendo-se alheio também à conspiração que resultou no movimento político-militar de 31 de março de 1964. Por isso, seu aparecimento repentino em 1965 como candidato do PSD à sucessão do governador mineiro José de Magalhães Pinto, da União Democrática Nacional (UDN), causou surpresa em todas as áreas políticas. Em outubro de 1965 venceu as eleições.

Durante seu governo criou o Plano Estadual de Telecomunicações, modernizou as instalações do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, concorreu para a instalação de observatórios astronômicos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituiu a Fundação Pandiá Calógeras para o desenvolvimento de programas educativos pelo rádio e televisão, criou o Polonoroeste para a exploração de recursos agroindustriais do estado e promoveu o aproveitamento econômico das chamadas zonas de cerrado.

Em janeiro de 1971, passou o governo ao ex-udenista Rondon Pacheco, que teve como companheiro de chapa o ex-pessedista Celso Machado, e foi eleito indiretamente pela Assembléia Legislativa do estado. Pinheiro retirou-se então da vida pública, retomando seus negócios à frente da Cerâmica João Pinheiro.

Casou-se com Coraci Uchoa Pinheiro, com quem teve nove filhos. Faleceu em Belo Horizonte no dia 6 de julho de 1973.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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