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A trajetória política de João Goulart
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Hugo de Araújo Faria nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de dezembro de 1915, filho de Antônio de Sá Faria e de Norma de Araújo Faria.

Funcionário do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio desde 1935, bacharelou-se em 1941 pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Fundador do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1945, opôs-se ao golpe que depôs o presidente Getúlio Vargas no dia 29 de outubro daquele ano. Com a posse do novo presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, em janeiro de 1946, foi transferido para Sergipe, onde ocupou o cargo de delegado regional do trabalho até o ano seguinte, quando passou a exercer a mesma função na Bahia.

Membro do diretório nacional do PTB a partir de 1950 e diretor do Departamento Nacional do Trabalho em 1953, neste último ano assumiu a chefia do gabinete do ministro do Trabalho João Goulart. Em fevereiro de 1954 foi nomeado ministro interino do Trabalho em substituição a Goulart. No período em que respondeu pelo Ministério do Trabalho, marcado por intensa mobilização sindical, foi baixado novo regulamento da previdência social e concedido o polêmico aumento de 100% do salário mínimo, que entrou em vigor em julho de 1954.

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, Hugo Faria participou da reunião ministerial convocada pelo presidente Vargas com o objetivo de discutir a crise político-militar que atravessava a nação, agravada pelo envolvimento de membros da guarda pessoal do palácio do governo no atentado da Toneleros. Diante desse episódio, ocorrido em 5 de agosto de 1954 no Rio de Janeiro e cujo alvo principal fora o líder oposicionista Carlos Lacerda, mas do qual resultara a morte do major-aviador Rubens Vaz, as pressões da oposição e dos círculos militares aumentaram, passando a exigir a renúncia do presidente. Nessa reunião, Hugo Faria manifestou seu apoio a qualquer decisão do presidente, que, no entanto, se suicidaria horas depois. Nesse mesmo dia, Hugo Faria exonerou-se do Ministério do Trabalho.

Afastado do cenário político até o início da década de 1960, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, Hugo Faria, juntamente com Tancredo Neves, viajou a Montevidéu, para onde se dirigira o vice-presidente João Goulart, a fim de transmitir-lhe as condições impostas pelos ministros militares para sua posse na presidência da República. Aprovada pelo Congresso uma proposta conciliatória baseada na adoção do sistema parlamentarista, Goulart foi afinal empossado em 7 de setembro de 1961. No ano seguinte, Hugo Faria tornou-se subchefe do Gabinete Civil da Presidência da República, assumindo a seguir como interino a chefia do mesmo. Durante esse período, participou da campanha pela antecipação do plebiscito que deveria decidir sobre a volta ao regime presidencialista. Realizada a consulta popular em 6 de janeiro de 1963, ficou decidida por ampla maioria a volta do presidencialismo.

Ainda neste último mês, foi nomeado diretor da Carteira de Redescontos e Mobilização Bancária do Banco do Brasil, vindo a participar de estudos sobre as reformas de base, a Lei de Remessa de Lucros e a integração econômico-social no Nordeste. No dia 29 de março de 1964 foi nomeado presidente do Banco do Brasil. Seu mandato foi o mais curto da história do banco, pois, com a deposição de Goulart em 31 de março, por um golpe militar, teve que deixar o posto.

Após a instauração do novo regime, foi demitido do serviço público por força do Ato Institucional n1. Com a instauração do bipartidarismo em 1965, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, tendo chegado a participar de seu diretório nacional. Beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada em 1979, teve restabelecido seu vínculo com o Ministério do Trabalho em junho de 1980.

Faleceu no dia 24 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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