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A trajetória política de João Goulart

<<  Hermes Lima

Hermes Lima nasceu no dia 22 de dezembro de 1902, em Livramento do Brumado (BA), filho de Manuel Pedro de Lima e de Leonídia Maria de Lima.

Advogado diplomado pela Faculdade de Direito da Bahia, em 1924, nesse mesmo ano foi eleito deputado estadual. Em 1926 transferiu-se para São Paulo, onde tornou-se livre-docente de direito constitucional da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Instalando-se no Rio de Janeiro, em 1935 tornou-se diretor da Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal, e colaborador do A Manhã, porta-voz da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização ligada ao Partido Comunista Brasileiro, fechada pelo presidente Getúlio Vargas em julho daquele ano. Em novembro, a ANL deflagrou um movimento armado em Natal, Recife e Rio de Janeiro, logo sufocado pelas forças governistas.

Na onda repressiva que se seguiu à insurreição, Hermes Lima foi afastado da Faculdade de Direito, tendo permanecido preso durante 13 meses. Ao deixar a prisão foi trabalhar na revista Vamos Ler, assinando artigos com pseudônimos. Pouco antes da decretação do Estado Novo (10/11/1937), viajou para o interior da Bahia, onde viviam seus pais. Passado o período de repressão mais forte, retornou ao Rio, onde foi trabalhar no Correio da Manhã.Entretanto, como seus artigos eram sistematicamente censurados, deixou o jornal e passou a trabalhar como advogado.

Em 1945, com a desagregação do Estado Novo, participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN) e da Esquerda Democrática (ED), tendo sido eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte (ANC) por essa legenda. Em 1947, participou da fundação do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 1950, candidatou-se, na legenda socialista, à Câmara Federal pelo Distrito Federal, conseguindo apenas uma suplência. Em 1953, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Diretor da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil entre 1957 e 1959, ao longo da década de 1950 representou o Brasil em diversos eventos internacionais.

A renúncia do presidente Jânio Quadros (25/08/1961) levou o país a uma aguda crise política. Como os ministros militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart, ela só se concretizou duas semanas depois, através da aprovação, pelo Congresso, de emenda constitucional instituindo o regime parlamentarista. Empossado Goulart, Tancredo Neves foi nomeado primeiro-ministro e Hermes Lima foi convidado para chefiar o Gabinete Civil. Em julho de 1962, quando Francisco Brochado da Rocha assumiu a chefia do gabinete, tornou-se ministro do Trabalho. Em setembro, o primeiro-ministro encaminhou ao Congresso proposta que antecipava para 7 de outubro o plebiscito sobre a permanência ou não do parlamentarismo. Com a rejeição de seu projeto, Brochado da Rocha renunciou, juntamente com todo o gabinete. Esse fato, seguido de uma greve geral decretada pelo Comando Geral dos Trabalhadores, levou o Congresso a aprovar lei que antecipava o plebiscito para 6 de janeiro de 1963.

Goulart nomeou Hermes Lima para o cargo de primeiro-ministro em setembro de 1962, cargo que acumulou com o de titular da pasta das Relações Exteriores. No dia 6 de janeiro, o plebiscito determinou o retorno do presidencialismo. Permanecendo no posto de primeiro-ministro até o final de janeiro, Hermes Lima foi mantido como ministro das Relações Exteriores até junho. Nesse mês, tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), aí permanecendo mesmo após o afastamento de Goulart pelos militares (31/03/1964). Eleito para a Academia Brasileira de Letras em dezembro de 1968, no mês seguinte perdeu sua cadeira no STF, aposentado pelo Ato Institucional nº 5.

Faleceu no dia 1o de outubro de 1978, no Rio de Janeiro.

Era casado com Maria Moreira Dias Lima.

Seu arquivo encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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