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A trajetória política de João Goulart

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Gabriel Grün Moss nasceu no dia 25 de fevereiro de 1904, filho de Gabriel Tragino Moss e de Ângela Grün Moss.

Cursou a Escola Naval entre 1923 e 1927. Em 1932, combateu a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Baseado em São Sebastião (SP), participou de vários ataques às posições paulistas no vale do Paraíba. No final do conflito, contudo, foi acusado de simpatizar com os rebeldes, permanecendo 20 dias detido. Em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB), ingressou na nova corporação. Em 1942, fez o curso de estado-maior em Fort Leavenworth, nos EUA.

Comandou o 5o Regimento de Aviação, entre 1943 e 1944, em Curitiba. Em seguida, foi subcomandante e comandante do 4o Regimento de Aviação, na base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Em 1948, foi concomitantemente, subchefe do gabinete Militar da Presidência da República e adjunto-de-gabinete da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional. Em 1950, comandou o 1o Regimento de Aviação, em Santa Cruz (Rio de Janeiro). Adido aeronáutico junto à embaixada brasileira em Santiago do Chile entre 1950 e 1952, no início do governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), passou a chefiar um dos mais importantes órgãos da Aeronáutica, o Comando de Transporte Aéreo (Comta), deixando o cargo em meados de 1957.

Grün Moss ocupou a pasta da Aeronáutica durante o curto governo do presidente Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961). Após a renúncia de Quadros (25/08/1961), Moss e os ministros da Guerra, Odílio Denis, e da Marinha, Sílvio Heck, formaram uma junta militar que vetou a posse do vice-presidente João Goulart, sob a alegação de que ela levaria o país à guerra civil. Como Goulart estava em missão oficial no exterior, a presidência coube interinamente a Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. A junta pretendia proibir que Goulart pisasse de volta o território brasileiro, o que tornaria necessária a realização de eleições a fim de se escolher um novo presidente.

No Congresso, comissão constituída por deputados e senadores com a missão de estudar o veto militar a Goulart manifestou-se contra a pretensão da junta, vindo a propor, como solução para a crise, a adoção do regime parlamentarista, que reduzia os poderes do presidente. Em 2 de setembro, o Congresso aprovou a proposta, transformada na Emenda Constitucional nº 4, que instituiu parlamentarismo no país, garantindo-se, assim, a posse de Goulart. Contudo, no dia 3, Moss fechou o aeroporto de Brasília, comunicando que um grupo de oficiais da Aeronáutica, descontentes com a Emenda nº 4, elaborara um plano para capturar Goulart, forçando a aterrissagem do avião que o estivesse conduzindo a capital. No dia 5, o marechal Denis admitiu que o Exército poderia impedir uma eventual ação aérea contra o vice-presidente. Foi então emitido um comunicado no qual credenciado por Moss e Heck, Denis assegurou que as forças armadas aceitavam a instituição do parlamentarismo e garantiam o desembarque de Goulart em Brasília e sua investidura. No dia 7, Goulart tomou posse na presidência e no dia 8 os ministros militares foram afastados.

Aluno na Escola Superior de Guerra (ESG) entre1962 e 1963, Moss tomou parte ativa do movimento militar que depôs Goulart em 31 de março de 1964. Em janeiro de 1965, foi reconduzido ao comando do Comta, ocupando-o até setembro de 1965, quando foi empossado ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Em 1974 foi aposentado no STM por ter atingido a idade-limite de 70 anos.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de julho de 1989.

Grün Moss foi casado com Hilda Maciel Moss, com quem teve quatro filhas. Viúvo, contraiu segundas núpcias com Isoléia Ribeiro Moss.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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