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A trajetória política de João Goulart
<<  Ferreira Gullar

Escritor e poeta nascido na cidade de São Luís (MA), em 1930. José Ribamar Ferreira modificou seu nome aos 18 anos, quando viu sua assinatura artística, Ribamar Ferreira, sob um soneto publicado no Diário de São Luís. O poema era, na verdade, de Ribamar Pereira, mas o erro do jornal levou Gullar a procurar outro nome, que viria sob inspiração do "Goulart" materno.

Durante toda a adolescência leu poemas clássicos e parnasianos. Seu primeiro livro, Um pouco acima do chão (1949) ainda estava marcado por essas leituras, o que o levou a excluí-lo de sua bibliografia mais tarde. No mesmo ano descobriu a poesia moderna de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e outros. No ano seguinte, vence com o poema "O galo" um concurso promovido pelo Jornal de Letras, tendo um júri formado por Manuel Bandeira, Willy Lewin e Odylo Costa Filho.

No Rio de Janeiro, para onde se transfere em agosto de 1951, aprofunda suas experiências de linguagem e conhece pessoas que o influenciariam decisivamente, como o crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Oswald de Andrade. Nessa ocasião, trabalhou como revisor da revista O Cruzeiro. Em 1954, publicou A luta corporal, apesar da resistência da gráfica de O Cruzeiro, onde o livro foi impresso. O projeto visual ousado despertou o interesse dos paulistas Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. O concretismo começava a ser gerado.

Gullar trabalhou como revisor na revista Manchete e no Diário Carioca, e tornou-se um dos mentores do "Suplemento Dominical" do Jornal do Brasil, criado em 1955. No ano seguinte participa da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp). Quando a mostra vem para o Rio, em 1957, Gullar já está se distanciando do grupo concretista de São Paulo. Rompido com este, participa da criação do movimento neoconcreto ao lado de Amílcar de Castro, Franz Weissman, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanúdis. Em 1959, redigiu o "Manifesto neoconcreto", assinado pelos outros artistas e transformado em abertura do catálogo da 1ª Exposição de Arte Neoconcreta, realizada em março, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

Em 1961, com o convite para assumir a direção da Fundação Cultural de Brasília no governo de Jânio Quadros, reencontrou a poesia no meio dos conflitos sociais. Na instituição, que dirigiu até outubro de 1961, construiu o Museu de Arte Popular. A partir de 1962, passa a fazer parte do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) e também trabalha como copidesque na sucursal carioca de O Estado de São Paulo. Em 1963 foi eleito presidente do CPC.

Marxista, filiou-se ao Partido Comunista em abril de 1964. No mesmo ano funda o Grupo Opinião, com Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes, Armando Costa e outros. Entretanto, após a instituição do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 13 de dezembro de 1968, Gullar foi preso. Em 1969, ainda lança o ensaio Vanguarda e subdesenvolvimento, mas as condições políticas cerceiam cada vez mais o seu trabalho.

Começa a se dedicar à pintura e em 1970 chega a viver na clandestinidade por um período. Durante este tempo colaborou com O Pasquim sob o pseudônimo de Frederico Marques e deu aulas de português para sobreviver. Em 1975, mesmo ano em que é publicado no Brasil Dentro da noite de veloz, reunião de poemas que vinha criando desde 1962, Gullar escreve na capital argentina aquele que se tornaria seu livro mais famoso: Poema sujo. O poema chega ao Brasil em forma de fita trazida por Vinicius de Moraes, e começa a ser ouvido em sessões fechadas. No ano seguinte Ênio Silveira consegue publicar Poema sujo pela editora Civilização Brasileira. Sem a presença do autor, o lançamento no Rio se torna um ato pela volta de Gullar, reunindo artistas e intelectuais. O poeta acaba retornando ao Brasil em 10 de março de 1977.

Em 1985 é premiado com um Molière especial por sua versão para "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand. Em 1987, lança outro livro de poemas, Barulhos, publicando dois anos depois uma série de ensaios batizada de Indagações de hoje. Em 1992 assumiu a direção da Funarte, rebatizada assim por ele em substituição ao Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, nome criado na época em que Fernando Collor era o presidente da República, permanecendo no cargo até início de 1995.

Em 1993, abriu fogo contra as vanguardas no livro Argumentação contra a morte da arte, criando polêmica com muitos artistas plásticos. No mesmo ano faleceu sua mulher, Thereza Aragão. Com seu livro de poemas, Muitas vozes, ganhou o Prêmio Jabuti de poesia. Recebeu em 2000 o Prêmio Multicultural Estadão, de O Estado de São Paulo, por toda sua obra. Ainda neste ano, foi tema da exposição "Ferreira Gullar 70 anos", no MAM-RJ. Casou-se com a produtora e pesquisadora de música popular brasileira, Thereza Aragão, com quem teve três filhos.

[Fonte: http://www.uol.com.br/ferreiragullar]

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