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A trajetória política de João Goulart

<<  Ernesto Dornelles

Ernesto Dornelles nasceu em São Borja (RS) no dia 20 de setembro de 1897, filho do general Ernesto Francisco Dornelles e de Amélia Rodrigues Dornelles. Era primo de Getúlio Dornelles Vargas. Em 1918 sentou praça no Exército, tendo cursado a Escola Militar do Realengo (RJ). Atuou junto às forças legalistas no combate à revolta que eclodiu no Rio Grande do Sul em 1924, e participou também da Revolução de 1930.

Durante o ano de 1934 atuou como instrutor da Força Pública mineira, mantendo-se ligado ao gabinete do secretário do Interior de Minas até 1935. Em janeiro de 1936 foi nomeado chefe de polícia de Minas Gerais, cargo no qual permaneceu até 1942. Posteriormente foi transferido para o gabinete do ministro da Guerra, general Eurico Dutra, onde serviu até 1943.

Em setembro de 1943, Vargas nomeou Ernesto Dornelles interventor no Rio Grande do Sul, Durante sua interventoria procurou desenvolver uma atuação que amenizasse as dificuldades sociais, agravadas com o aumento do custo de vida decorrente da Segunda Guerra Mundial.

Em 1945 foi um dos responsáveis pela formação do Partido Social Democrático (PSD) no Rio Grande do Sul. Com a deposição de Getúlio Vargas, Dornelles foi substituído na interventoria gaúcha. No pleito para a Assembléia Nacional Constituinte, realizado ainda em 1945, foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul pelo PSD. Logo em seguida foi promovido a coronel.

Em dezembro de 1949 foi transferido para a reserva. Em julho de 1950, convidado por Getúlio Vargas para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul, Dornelles aceitou e foi eleito. Durante sua gestão enfatizou o prosseguimento das obras no campo da energia elétrica. Procurou também reduzir o crescente índice inflacionário. Para isso criou, por intermédio da Secretaria de Agricultura, um órgão regulador do comércio e dos preços, cujos resultados não foram satisfatórios. Permaneceu no governo do Rio Grande do Sul até janeiro de 1955.

Em fins de 1955, Com a eleição de Juscelino Kubitschek e João Goulart, respectivamente para a presidência e a vice-presidência da República, Ernesto Dornelles foi convidado a ocupar o Ministério da Agricultura, tomando posse no cargo em 31 de janeiro de 1956. Durante sua breve gestão, o ministério procurou expandir a mecanização agrícola, tendo sido instituído um grupo de trabalho que apresentou sugestões sobre comércio, financiamento e importação de máquinas e implementos agrícolas. Em agosto de 1956, após estudos da Comissão de Financiamento da Produção, foram garantidos preços mínimos para os produtos de subsistência, de forma a proteger o agricultor e evitar a elevação dos preços dos gêneros de primeira necessidade.

A gestão de Dornelles foi responsável também pela mudança na orientação dada à política de financiamento das atividades rurais. Até então, o crédito especializado vinha sendo concedido quase que exclusivamente pelas entidades públicas. Visando estender o financiamento à produção agropecuária o governo procurou meios de estimular a rede bancária privada.

Em meados de 1956 Kubitschek decidiu dar nova orientação ao Ministério da Agricultura. Para isso, tornava-se necessária a substituição de Dornelles por alguém mais capaz de promover a reestruturação do setor agrícola. Deste modo, o presidente lhe ofereceu o cargo de membro do conselho administrativo da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), criada a 22 de setembro de 1956 e encarregada da construção de Brasília. Tendo aceito a nova função, Ernesto Dornelles deixou o ministério.

Em agosto de 1962, Ernesto Dornelles tornou-se conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), cargo em que permaneceu até a morte.

Casou-se com Fabíola Pinto Dornelles. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de julho de 1964.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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