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A trajetória política de João Goulart
<<  Ermirio de Morais

José Ermírio de Morais nasceu em Nazaré da Mata (PE) no dia 21 de janeiro de 1900, filho de Ermírio Barroso de Morais e de Francisca Jesuína Pessoa de Albuquerque Morais.

Formado em engenharia de minas, em 1921, pela Colorado School of Mines, nos Estados Unidos, numa viagem à Europa, conheceu o industrial Antônio Pereira Inácio, proprietário da fábrica de tecidos Votorantim, que o convidou para trabalhar em sua empresa quando retornasse ao Brasil. Ermírio de Morais aceitou o convite, casou-se com Helena, filha única de Pereira Inácio, e em 1925 assumiu a diretoria da Sociedade Anônima Votorantim.

Destacando-se como líder empresarial, Ermírio de Morais foi um dos fundadores, em 1928, do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. As associações patronais de São Paulo apoiaram a chapa situacionista encabeçada por Júlio Prestes, nas eleições presidenciais de março de 1930. Apesar da vitória da chapa oficial, em outubro irrompeu a revolução que levou o candidato oposicionista GetúlioVargas ao poder.

Em julho de 1932, eclodiu em São Paulo a Revolução Constitucionalista, contrária ao Governo Provisório de Vargas. Ermírio de Morais, como a grande maioria dos industriais paulistas, participou ativamente do movimento. Derrotados, os revoltosos assinaram, em 2 de outubro, um armistício com o governo federal.

A diversificação da Votorantim teve início em 1933, com a construção de sua primeira fábrica de cimento, inaugurada em 1936. No ano seguinte, foi criada a Companhia Nitro Química Brasileira, passaria a produzir seda artificial. Ingressando no setor siderúrgico, criou a Companhia Siderúrgica Barra Mansa. Em 1941, constituiu a Companhia Brasileira de Alumínio e, mais tarde, em 1957, adquiriu o controle da Companhia Brasileira de Metais.

Entusiasmado com o desempenho de Jânio Quadros no governo de São Paulo (1955-1959), participou do financiamento de sua campanha à presidência em 1960. Vitorioso, Jânio tomou posse em janeiro de 1961. Em junho, a convite de Carvalho Pinto, governador de São Paulo (1959-1963), Ermírio de Morais assumiu a presidência da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Com a renúncia de Jânio (25/08/1961), irrompeu uma aguda crise no país, provocada pelo veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart. A crise foi contornada com a aprovação pelo Congresso da emenda que instituía o regime parlamentarista. Goulart tomou posse em 7 de setembro.

Ermírio de Morais ingressou na vida política em outubro de 1962, concorrendo ao Senado por Pernambuco pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse mesmo pleito, marcado pela radicalização, financiou a candidatura de Miguel Arrais ao governo de Pernambuco, apoiada pelas forças nacionalistas e de esquerda. Ambos lograram se eleger.

Pouco antes, em setembro, Goulart conseguira que o Congresso aprovasse a antecipação do plebiscito sobre o sistema de governo. Assim, em 6 de janeiro de 1963, foi decidida a volta ao presidencialismo. Ao constituir, naquele mesmo mês, seu primeiro ministério presidencialista, Goulart nomeou Ermírio de Morais para a pasta da Agricultura. Uma de suas primeiras medidas foi a aprovação, em março, do Estatuto do Trabalhador Rural, que regulava os contratos e as relações de trabalho entre empregadores e empregados rurais. Substituído em junho de 1963, Ermírio de Morais reassumiu em seguida sua cadeira no Senado. Após o golpe militar de 31 de março de 1964 que depôs Goulart, foi eleito, em maio de 1965, presidente nacional do PTB. Permaneceu no cargo até outubro de 1965, quando todos os partidos foram extintos. Após a instituição do bipartidarismo, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro, tendo sido seu primeiro tesoureiro-geral. Tentou reeleger-se senador por Pernambuco em 1970, mas não foi bem sucedido.

Faleceu em São Paulo em 9 de agosto de 1973.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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