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A trajetória política de João Goulart
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Dante Pellacani nasceu no dia 6 de março de 1923, em São Paulo, filho de Vasco Pellacani e Ana Ferrentini Pellacani.

Linotipista em diversos jornais de São Paulo, iniciou sua militância sindical em 1948, organizando o movimento Comitê Pró-Autonomia Sindical. Nesse mesmo ano, ingressou no Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Nas eleições de 1950, foi eleito vereador na capital paulista pelo Partido Trabalhista Nacional, mas teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, sob a alegação de militância comunista. No ano seguinte, elegeu-se vice-presidente do Sindicato dos Gráficos de São Paulo, mas sua posse foi vetada pelo Ministério do Trabalho, também sob a alegação de que pertencia ao PCB.

Em 1958 foi eleito presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Gráficos (FNTG) e foi um dos fundadores do Conselho Sindical dos Trabalhadores (CST) de São Paulo, assumindo a secretaria-geral da entidade. Ainda nesse ano afastou-se do PCB por discordar do apoio do partido à candidatura de Ademar de Barros ao governo de São Paulo, mas continuou a atuar junto dos comunistas no movimento sindical. Em 1959, foi reeleito presidente da FNTG. Em 1960, por conta das eleições presidenciais de outubro, o CST dividiu-se entre as candidaturas de Jânio Quadros e do general Henrique Lott. Nesse contexto, Pellacani foi um dos principais articuladores do Movimento Jan-Jan, que, reunindo os nomes de Jânio para presidente e de João Goulart para vice, acabou saindo vitorioso nas urnas. Ainda em 1960, foi eleito membro do conselho diretor do Departamento Nacional de Previdência Social e no ano seguinte vice-diretor desse órgão.

Em dezembro de 1961, contando com o apoio do presidente João Goulart, Pellacani foi eleito vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria, tendo Clodesmidt Riani, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), como presidente. Ainda em dezembro, a nova diretoria deflagrou uma greve geral em São Paulo e na Guanabara com o objetivo de pressionar o Congresso a aprovar um abono de Natal a ser pago a todos os trabalhadores. Mais de 1.200 grevistas foram detidos, entre os quais Pellacani, preso em São Paulo. O movimento durou apenas um dia, mas o abono foi aprovado no Congresso.

Em agosto de 1962, foi criado o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), organização intersindical agrupando diversas entidades dirigidas por petebistas radicais e comunistas, do qual Pellacani tornou-se presidente. Inicialmente, o CGT intensificou o apoio do movimento sindical a Goulart. Porém, depois que a política econômica do governo, baseada no Plano Trienal, passou a priorizar a redução da inflação e o restabelecimento dos índices de crescimento econômico, o que incluía a concessão de aumentos salariais abaixo das taxas de inflação, a organização entrou em rota de colisão com o presidente, promovendo greves e apoiando outros movimentos contestatórios, como a Revolta dos Sargentos, ocorrida em setembro de 1963.

Devido ao agravamento da tensão política, em janeiro de 1964 o CGT reaproximou-se do presidente, vindo a participar ativamente do Comício das Reformas, realizado em 13 de março, na Central do Brasil (RJ), e que teve o próprio Goulart como principal orador. No dia 30, o CGT denunciou a articulação de um golpe contra Goulart e conclamava os trabalhadores a se prepararem para uma greve geral. Um dia depois, Goulart foi deposto pelos militares. Pellacani estava na primeira lista de cassações editada pelo novo governo, baseado no Ato Institucional nº 1 (AI-1). Asilado na embaixada do Uruguai, dali partiu para o exílio naquele país, seguindo logo depois para a Tchecoslováquia. Retornou ao Brasil em 1969.

Faleceu no dia 6 de agosto de 1981, em São Paulo.

Era casado com Maria Leonor Sarmento Pellacani, com quem teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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