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A trajetória política de João Goulart
<<  Clodesmidt Riani

Clodesmidt Riani nasceu no dia 15 de outubro de 1920, em Rio Casca (MG), filho de Orlando Riani e de Maria Riani.

Começou a trabalhar aos 13 anos, numa fábrica de tecidos. Três anos depois, ingressou na Companhia Mineira de Eletricidade, como aprendiz de eletricista. Membro ativo do movimento sindical de Juiz de Fora, em 1950 disputou uma cadeira na Câmara de Vereadores de Juiz de Fora pelo Partido Social Progressista, mas não se elegeu. Um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Energia Elétrica de Juiz de Fora, em 1954 foi indicado pelo ministro do Trabalho João Goulart (1953-1954) para integrar a Comissão do Salário Mínimo de Minas Gerais. Nesse mesmo ano elegeu-se deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sem, contudo, abandonar os compromissos sindicais. Em 1958 foi eleito suplente de deputado estadual, assumindo o mandato em 1960.

Ainda em 1960, tornou-se vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI), num congresso em que foi aprovada sua proposta de formação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), entidade que deveria reunir todos os sindicatos brasileiros. Em 1961 Riani assumiu a presidência do diretório do PTB em Juiz de Fora. Eleito presidente da CNTI em dezembro de 1961, numa composição com Dante Pellacani, vice-presidente, e Benedito Cerqueira, secretário-geral, assumiu o cargo em janeiro de 1962. Vice-presidente do CGT, efetivamente criado em agosto de 1962, empenhou-se juntamente com o presidente da entidade, Dante Pellacani, na imediata concretização do programa de reformas de base, lançando mão de diversas formas de mobilização, particularmente a greve. Em outubro Riani reelegeu-se deputado estadual.

Em maio de 1963, nas eleições do CGT, ele e Pellacani trocaram de posições. Em setembro, o CGT apoiou a Revolta dos Sargentos deflagrada em Brasília e foi acusado pelo ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, de ter sido responsável pelo seu desencadeamento. No mês seguinte, à campanha pelas reformas de base somaram-se as reivindicações pela legalização do CGT e por um aumento de 100% no salário mínimo. Riani tomou parte, ainda em 1963, na fundação do Pacto de Ação Conjunta (PAC), congregando quatro federações e 80 sindicatos de trabalhadores na indústria. Eleito adjunto do conselho administrativo do Bureau Internacional do Trabalho (1963-1966) e reeleito presidente da CNTI (1964), assinou o manifesto aos trabalhadores e ao povo em geral convocando para o Comício das Reformas, realizado em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, em frente à estação D. Pedro II da Estrada de Ferro Central do Brasil,. O ato reuniu grande público e foi presidido pelo próprio João Goulart.

Deflagrado o golpe que depôs o presidente (31/03/1964), Riani tentou, sem sucesso, organizar uma greve geral em defesa da permanência de Jango. Em abril, foi preso e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 1 (09/04/1964). Nesse mesmo mês, a CNTI sofreu intervenção federal. Enquadrado pela Lei de Segurança Nacional como subversivo, Riani foi condenado em dezembro de 1965 a 17 anos de prisão. Em julho de 1966 teve a pena reduzida para dez anos pelo Superior Tribunal Militar e, dois anos depois, para um ano e dois meses. Foi então libertado e retornou ao trabalho na Companhia Mineira de Eletricidade.

Contudo, seus problemas com a Justiça não haviam terminado, pois ainda corria um Inquérito Policial-Militar (IPM) instaurado para apurar irregularidades na CNTI e que acusava Riani de apropriação indébita de recursos. Por conta disso, em 1969 ele foi condenado a dois anos de reclusão. Depois de cumprir um ano e meio da pena foi posto em liberdade por bom comportamento. De volta a Juiz de Fora e à Companhia Mineira de Eletricidade, completou o curso técnico de eletrotécnica, em 1972.

Após a anistia, em agosto de 1979, e a extinção do bipartidarismo, em novembro, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em março de 1980 elegeu-se delegado do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora, e em novembro de 1982 deputado estadual pelo PMDB. Em 1984 formou-se em direito. Em outubro de 1986, não conseguiu se reeleger. Afastado da vida pública, dedicou-se à advocacia trabalhista.

Casou-se com Norma Geralda Riani, com quem teve dez filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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