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A trajetória política de João Goulart
<<  Clemente Mariani

Clemente Mariani Bittencourt nasceu em Salvador (BA) no dia 28 de setembro de 1900, filho do desembargador Pedro Ribeiro de Araújo Bittencourt e de Ana Clemente Mariani Bittencourt.

Bacharelou-se em dezembro de 1920 e iniciou em 1921 sua carreira de advogado. Ainda em 1921, paralelamente à advocacia, começou a atuar como jornalista, tendo sido redator e mais tarde redator-chefe do Diário da Bahia.

 

Em 1924 foi eleito deputado estadual pelo distrito de São Francisco. No ano seguinte abandonou o mandato, assumindo a cadeira de direito comercial na Faculdade de Direito da Bahia. Dedicando-se à advocacia, ao magistério e ao jornalismo, em 1927 deixou o Diário da Bahia e tornou-se colaborador da Revista da Ordem dos Advogados da Bahia, atividade que exerceria até 1930.

Com vistas às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte em maio de 1933, participou da formação do Partido Social Democrático (PSD) da Bahia, do qual foi o primeiro-secretário e em cuja legenda se elegeu à Constituinte, obtendo a segunda maior votação no estado.

Eleito novamente em outubro de 1934 na legenda do PSD da Bahia, assumiu a liderança da bancada baiana na Câmara. Descrente dos rumos que tomava o processo político, viajou em seguida para a Europa, sendo substituído na Câmara por Artur Neiva. Regressou ao Brasil às vésperas do golpe de 10 de novembro de 1937 que instituiu o Estado Novo, não chegando a reassumir a liderança da bancada baiana.

Durante o Estado Novo afastou-se da política, retornando às atividades de professor e advogado. Acabou, contudo, abandonando a advocacia e o magistério para dedicar-se exclusivamente aos interesses comerciais como presidente da Cirb — empresa que fundara no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, durante o período de seu mandato na Câmara — e da Companhia Usina Cinco Rios, adquirida em 1938.

Em 1942 tornou-se diretor do Banco Comercial da Bahia e do Banco da Bahia, cuja presidência assumiu dois anos depois, reestruturando-o e dinamizando sobretudo o setor de câmbio.

Com a deposição de Vargas em 29 de outubro de 1945, assumiu o governo José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Mariani decidiu, então, candidatar-se e optou pela legenda udenista. Realizado o pleito, elegeu-se constituinte.

Afastou-se da Câmara em dezembro de 1946 para assumir a pasta da Educação e Saúde Pública do governo Dutra. Além dos encargos ministeriais, participou das articulações políticas para a escolha dos candidatos à sucessão de Dutra, durante o ano eleitoral de 1950.

Em maio de 1950 renunciou ao ministério para se candidatar ao Senado pela Bahia. Reassumindo seu mandato na Câmara dos Deputados em julho, foi substituído na pasta da Educação e Saúde por Pedro Calmon. Realizado o pleito em outubro, Vargas saiu vitorioso para a presidência e Mariani foi derrotado nas eleições para o Senado. Concluiu seu mandato em janeiro de 1951 e deixou a Câmara dos Deputados.

Afastado dos cargos políticos, reassumiu ainda em 1951 a presidência do Banco da Bahia, nela desenvolvendo durante cerca de quatro anos uma atuação que extrapolaria a área bancária. Com o suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954 e a posse imediata do vice-presidente João Café Filho no poder, foi convidado pelo novo ministro da Fazenda, Eugênio Gudin, para assumir a presidência do Banco do Brasil. Aceito o convite, tomando posse no novo cargo em setembro, passando a presidência do Banco da Bahia a Fernando Góis. Deixou o ministério em abril de 1955.

A campanha eleitoral de 1960 acabou aproximando-o de Jânio Quadros, candidato da União Democrática Nacional (UDN) à presidência da República. A orientação financeira anunciada por Jânio em seus discursos de campanha ajustava-se às teses de reforma cambial e de austeridade preconizadas por Mariani, que passou a apoiar sua candidatura. Poucos dias antes de assumir o governo, em janeiro de 1961, Jânio convidou Mariani para encabeçar a pasta da Fazenda.

Com a renúncia de Jânio, Mariani manteve-se no cargo durante o governo interino de Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, que assumiu o governo devido à ausência do vice-presidente João Goulart, que encontrava-se em missão no exterior. Em decorrência da crise gerada com o veto das forças armadas à posse de Goulart, a situação prolongou-se até 7 de setembro quando, já em vigor o regime parlamentarista, Goulart foi empossado e Mariani deixou a pasta da Fazenda, sendo substituído por Válter Moreira Sales.

Retornou às atividades empresariais, não ocupando qualquer cargo político durante o governo João Goulart. Apesar de suas estreitas ligações com figuras da UDN vinculadas às articulações antigovernamentais, manteve-se afastado do cenário político no período que antecedeu ao movimento político-militar de março de 1964 que depôs Goulart. Entretanto, como empresário e banqueiro, não deixou de acompanhar as mudanças na política econômica implementadas pelo governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Com a posterior aprovação da Lei de Reforma Bancária e a criação de novas entidades autônomas para o exercício das atividades financeiras, Mariani promoveu a criação de um banco de investimento e de uma companhia financeira, ligados ao Banco da Bahia.

A partir de 1978 Mariani foi passando sucessivamente a presidência executiva das empresas do grupo a seus filhos Carlos e Eduardo Mariani, conservando apenas a presidência dos conselhos de administração.

Casou-se com Clara Pereira Mariani Bittencourt, com quem teve oito filhos. Faleceu em Salvador no dia 13 de agosto de 1981.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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