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A trajetória política de João Goulart
<<  Auro de Moura Andrade

Auro Soares de Moura Andrade nasceu no dia 19 de setembro de 1915, em Barretos (SP), filho de Joaquim de Moura Andrade e de Guiomar Soares de Moura Andrade.

Participou em 1932, da Revolução Constitucionalista de São Paulo. Dois anos depois, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, tendo concluído o curso em 1938. Iniciou sua trajetória política em 1947, elegendo-se deputado à Assembléia Constituinte paulista pela União Democrática Nacional (UDN). Em 1950, elegeu-se deputado federal. Em 1951, desligou-se da UDN, permanecendo algum tempo sem partido. Em 1952, já estava inscrito no Partido Democrata Cristão. Em 1954, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro, mas nesse mesmo ano filiou-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), pelo qual elegeu-se senador, em outubro. Posteriormente, transferiu-se para o Partido Social Democrático (PSD). Em março de 1961, tornou-se vice-presidente do Senado, posto que correspondia de fato à presidência da casa, exercida formalmente pelo vice-presidente da República.

Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou. Como seu substituto legal, o vice-presidente João Goulart, encontrava-se em viagem à China Popular, a presidência foi ocupada interinamente por Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Goulart, porém, teve sua posse vetada pelos ministros militares. Nessa conjuntura, Moura Andrade constituiu uma comissão mista de senadores e deputados encarregada de achar uma solução para a crise. Em 2 de setembro, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 4, que instituiu o sistema parlamentarista, forma política que possibilitou a posse de Goulart. No dia 7, Moura Andrade, na qualidade de presidente do Congresso, empossou Goulart na presidência da República.

Em março de 1962, Moura Andrade foi eleito presidente do Senado, renovando seu mandato de senador em outubro. Colocando-se cada vez mais na oposição a Goulart, reelegeu-se presidente do Senado em fevereiro de 1963 e em março de 1964. No dia 15 deste mês, na abertura do Congresso Nacional, declarou que as relações entre o Legislativo e o Executivo estavam praticamente rompidas. Em 19 de março, participou e discursou na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo, organizada por entidades contrárias ao governo. No dia 30, após a solenidade em homenagem ao presidente organizada pelos sargentos na sede do Automóvel Clube do Brasil, lançou um manifesto no qual fazia um apelo às forças armadas para que restabelecessem a ordem constitucional e defendessem a democracia. No dia seguinte, Goulart foi deposto pelos militares.

Em 2 de abril, Moura Andrade declarou vaga a presidência. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, foi empossado interinamente no cargo, mas o poder efetivo ficou nas mãos do Comando Supremo da Revolução, formado pelos ministros militares que, em 9 de abril, promulgou o Ato Institucional nº 1 (AI-1). Além de suprimir as garantias constitucionais e permitir a suspensão de direitos políticos e a cassação de mandatos, o AI-1 fixava ainda a eleição, pelo Congresso, para presidente e vice-presidente da República. Moura Andrade disputou a vice-presidência, mas foi derrotado. A presidência coube ao general Humberto Castelo Branco.

Reeleito pela quarta vez consecutiva presidente do Senado em fevereiro de 1965, no mês seguinte Moura Andrade disputou sem êxito a prefeitura de São Paulo pelo PSD. Após a edição do Ato Institucional nº 2 (21/10/1965) e a posterior implantação do bipartidarismo no país, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional, partido situacionista. Apesar disso, mostrou-se crítico ao regime militar em algumas ocasiões. Em outubro de 1966, por exemplo, depois de ter sido confirmado na presidência do Senado em fevereiro, apoiou publicamente o presidente da Câmara dos Deputados, Adauto Lúcio Cardoso, quando este recusou-se a acatar a cassação de seis deputados federais. Em represália, o Congresso permaneceu em recesso durante um mês.

Em fevereiro de 1967, Moura Andrade elegeu-se pela última vez presidente do Senado. Embaixador do Brasil na Espanha de 1968 a 1969, deixou o Senado em 1971.

Faleceu no dia 30 de maio de 1982, em São Paulo.

Era casado com Beatriz Estela Prado de Andrade, com quem teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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