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A trajetória política de João Goulart
<<  Armando Monteiro Filho

Armando de Queirós Monteiro Filho nasceu no dia 11 de setembro de 1925 em Recife (PE), filho de Armando de Queirós Monteiro e de Maria José Dourado de Queirós Monteiro.

Ingressou na Escola de Engenharia da Universidade de Recife em 1945, participando ativamente da política universitária contra o Estado Novo. Nas eleições de 1950 elegeu-se deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD), em Pernambuco, mas foi impedido de assumir o mandato devido a seu parentesco com o governador eleito Agamenon Magalhães, seu sogro. No ano seguinte, nas eleições suplementares para a Assembléia Legislativa, obteve a primeira suplência.

Em 1951 foi nomeado secretário estadual de Viação e Obras Públicas, cargo que ocupou até 1954, quando assumiu vaga aberta na Assembléia Legislativa. Candidato à Câmara dos Deputados na legenda do PSD, em outubro de 1954, foi o deputado federal mais votado. Assumiu o mandato em 1955, e em outubro de 1958 reelegeu-se deputado federal. Em seu segundo mandato, participou da elaboração do projeto que criou em 1959 o Conselho de Desenvolvimento Econômico do Nordeste, base para a constituição da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no final do mesmo ano.

Com a renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), Armando Monteiro Filho votou a favor da emenda constitucional que instituiu o regime parlamentarista como fórmula conciliatória para garantir a ascensão do vice-presidente João Goulart à presidência, o que se deu no dia 7 de setembro. No dia seguinte, o pessedista Tancredo Neves foi nomeado primeiro-ministro e Armando Monteiro Filho foi indicado para o Ministério da Agricultura. À frente da pasta, procurou reforçar a sua receita, através da criação do Fundo Federal Agropecuário (Ffap). Interessado na questão da reforma agrária, apresentou um projeto a ser enviado ao Congresso, que visava a conjugar a distribuição de terras aos trabalhadores rurais com a mecanização da lavoura e a formação de cooperativas. A fórmula para contornar o dispositivo constitucional que exigia a prévia indenização em dinheiro pelas terras desapropriadas era elevar o imposto territorial rural, de modo a obter recursos para cumprir a lei. Contudo, o projeto, não chegou a ser votado.

Com a renúncia do gabinete de Tancredo Neves em 26 de junho de 1962, deixou a pasta da Agricultura e reassumiu sua cadeira de deputado federal. Nas eleições de outubro de 1962, disputou o governo de Pernambuco pelo PSD, mas Miguel Arrais venceu o pleito, restando a Armando Monteiro o terceiro lugar. Na Câmara, apoiou a campanha de retorno ao presidencialismo, votando a favor da antecipação do plebiscito, aprovada em meados de setembro de 1962. Realizada em 6 de janeiro de 1963, a consulta decidiu pela volta do presidencialismo. Ainda em janeiro, Armando Monteiro encerrou seu mandato na Câmara Federal.

Contrário ao golpe militar que destituiu Goulart em 31 de março de 1964, após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição ao novo regime, sob cuja legenda concorreu, sem sucesso, ao Senado em novembro de 1966.

Após o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado pelo ex-governador gaúcho Leonel Brizola, que retornara pouco antes do exílio. Somente em outubro de 1994 voltou a disputar um cargo publico, concorrerndo a uma vaga de senador, mas não foi bem sucedido. Em outubro de 1998, depois de deixar o PDT, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Casado com Maria do Carmo Magalhães Queirós Monteiro, teve cinco filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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