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A trajetória política de João Goulart
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João Augusto de Araújo Castro nasceu no dia 27 de agosto de 1919, no Rio de Janeiro, filho de Raimundo de Araújo Castro e de Carmem Viveiros de Castro.

Advogado diplomado pela Faculdade de Direito de Niterói em 1941, ingressou na carreira diplomática em 1940, antes, portanto, de se formar. Em setembro de 1942 serviu na comissão brasileira junto à Missão Cooke, grupo de técnicos enviado pelo governo norte-americano ao Brasil. Em 1943 foi enviado para o consulado brasileiro em San Juan (Porto Rico) e, posteriormente, para Miami e Nova Iorque. Em 1951, foi designado para a missão permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Transferido para Roma em 1953, em 1958 assumiu a chefia do Departamento Político e Cultural do Itamarati, vindo a participar da formulação da Operação Pan-Americana, programa multilateral para o desenvolvimento econômico da América Latina idealizado por Augusto Frederico Schmidt e proposto pelo presidente Juscelino Kubitschek ao governo norte-americano.

Em agosto de 1961, integrou a comitiva do vice-presidente João Goulart em missão especial a Moscou e ao Extremo Oriente. A viagem foi interrompida em Pequim, na China, pela renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), o que levou Goulart a retornar ao Brasil para assumir o governo. Apesar do impasse criado pelo veto dos ministros militares à posse de Goulart, esta foi assegurada em 7 de setembro de 1961, graças à aprovação de emenda constitucional que introduziu o parlamentarismo.

Durante o governo João Goulart (1961-1964), Araújo Castro foi nomeado secretário geral do Ministério das Relações Exteriores em 1963. Em julho deste ano, rompendo com a tradição que excluía os diplomatas de carreira do primeiro escalão do Itamarati, foi nomeado ministro interino das Relações Exteriores, sendo efetivado em agosto. Em novembro, chefiou a delegação do Brasil à XVIII Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, defendendo na oportunidade sua política dos "Três D" - Desenvolvimento, Desarmamento e Descolonização.

Araújo Castro fazia questão evitar qualquer participação na política interna do governo. Assim, foi o único ministro ausente do comício em favor das reformas de base, realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964 sob o comando do presidente Goulart. Dos ministros do regime deposto pelo golpe militar de 31 de março, foi o único em cujo ato de demissão estava claro que seu afastamento ocorria a seu próprio pedido.

Em 1968, após quatro anos de um certo ostracismo, experimentou uma nova fase de ascensão em sua carreira, sendo nomeado embaixador do Brasil na ONU, deixando este cargo para assumir a embaixada do Brasil nos EUA em maio de 1971. Em Washington, buscou contornar as restrições impostas às importações de produtos brasileiros, e manteve contatos com parlamentares visando recuperar a imagem do governo brasileiro dos desgastes sofridos com as denúncias de violências contra presos políticos.

Faleceu em Washington, no exercício de suas funções, em 9 de dezembro de 1975.

Era casado com Míriam Sain-Brisson de Araújo Castro, com quem teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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