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A trajetória política de João Goulart
<<  Antônio Garcia Filho

Antônio Garcia Filho nasceu no dia 21 de agosto de 1926, em Uruguaiana (RS), filho de Antônio Garcia e de Brandina Machado Garcia.

Ingressou no Exército em outubro de 1944, em Santa Maria (RS), como voluntário para lutar na Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, participou das ações da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Em 1947 foi transferido para o Rio de Janeiro.

Durante o governo de João Goulart (1961-1964), soldados, marinheiros e sargentos iniciaram uma luta para conseguir representação parlamentar, que lhes era proibida pela Constituição de 1946. Líder do Comando Nacional dos Sargentos, Antônio Garcia Filho foi escolhido pela categoria para concorrer a um mandato de deputado federal pela Guanabara, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro, em outubro de 1962. Único sargento eleito e empossado, participou da luta de seus colegas de farda para garantirem os mandatos dos demais sargentos eleitos e que tinham sido cassados pelos tribunais regionais eleitorais. Em setembro de 1963, quando o Supremo Tribunal Federal votou contra a elegibilidade dos sargentos, foi deflagrada a Revolta dos Sargentos de Brasília, que atingiu a Marinha e a Aeronáutica, mas que acabou sem maiores proporções pela não-adesão de efetivos do Exército.

Antônio Garcia Filho participou da manifestação do Clube dos Sargentos, realizada no dia 30 de março de 1964 no Automóvel Clube do Brasil, e que contou com a presença de Goulart. Essa manifestação visava demonstrar a satisfação dos marinheiros pela ação do presidente, dias antes, durante sua revolta, quando se concentraram no Sindicato dos Metalúrgicos no Rio em protesto contra as restrições a eles impostas pela hierarquia militar. Goulart foi deposto no dia seguinte por um golpe militar.

Em abril, Garcia Filho teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos com base no Ato Institucional nº 1. Levado para a embaixada da Iugoslávia, onde poderia se refugiar, não quis deixar o país. Já na clandestinidade, foi para Goiás com o intuito de organizar a resistência armada ao regime militar. Em 1965 esteve em São Paulo e em 1966 retornou ao Rio de Janeiro. Em 1970 foi preso, permanecendo 41 dias no Departamento de Operações Políticas e Sociais. Libertado, foi expulso do Exército.

Beneficiado pela anistia decretada em agosto de 1979, em novembro de 1982, candidatou-se, sem sucesso, a deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido dos Trabalhadores.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de fevereiro de 1999.

Era casado com Lair Lopes Garcia, com quem teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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