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A trajetória política de João Goulart
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Amauri Kruel nasceu no dia 11 de abril de 1901, em Santa Maria (RS), filho de José Carlos Kruel e de Ana Weber Kruel.

Formou-se em 1921 pela Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Em 1923, participou de manifestações em Santana do Livramento (RS) em apoio à Revolução Federalista, e em 1930 tomou parte, no Rio, da revolução que levou Getúlio Vargas no poder. Em 1931, ingressou no curso da Escola do Estado-Maior, concluindo-o em 1933. Entre 1936 e 1937 comandou a Polícia Municipal do Rio de Janeiro. Integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutou ao lado das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em 1949, fez um curso especial de informações e foi responsável por um inquérito sobre atividades comunistas no Exército.

Em fevereiro de 1954, foi um dos signatário do Manifesto dos coronéis, documento que criticava a política econômica e protestava contra o aumento do salário mínimo em 100%, proposto pelo segundo governo Vargas. Chefe do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP) em 1957, entre 1959 e 1961 foi assessor militar do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Com a renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), instalou-se no país uma grave crise provocada pelo veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, então em visita à China. Enquanto Goulart iniciava sua viagem de volta, formou-se no Rio Grande do Sul, liderado pelo governador Leonel Brizola, um movimento em favor de sua posse. Kruel viajou do Rio para Porto Alegre, onde integrou a comitiva que em 1º de setembro recebeu Goulart. No dia 2, o Congresso aprovou a instituição do parlamentarismo no país, permitindo a posse de Goulart no dia 7. No dia 8, Kruel foi nomeado chefe do Gabinete Militar da Presidência.

Tendo seus poderes diminuídos, Goulart tentou, desde o início, antecipar o plebiscito previsto para princípios de 1965 que decidiria sobre o destino do regime parlamentarista. Depois de uma sucessão de crises politicas e mudanças de ministério, em setembro de 1962 a Câmara dos Deputados fixou a data do plebiscito em 6 de janeiro de 1963. Em seguida Hermes Lima assumiu o cargo de primeiro-ministro e Kruel a pasta da Guerra. Na data marcada, foi realizada a consulta que decidiu pelo retorno ao presidencialismo. No dia 23 de janeiro, Goulart nomeou um novo ministério, mas Kruel foi mantido.

Em maio, Kruel puniu com 30 dias de prisão o sargento Gelci Rodrigues Correia, que jurara publicamente "defender a ordem em nossa pátria, mas não essa que está aí, que beneficia somente uns poucos privilegiados". No mês seguinte, foi afastado da pasta da Guerra em meio a mais uma reformulação ministerial. No final de 1963, assumiu o comando do II Exército, sediado em São Paulo.

No dia 13 de março de 1964, Goulart pronunciou um inflamado discurso em prol das chamadas reformas de base para mais de cem mil pessoas em um grande comício realizado no Rio de Janeiro. A partir desse momento, a conspiração já em curso entre civis e militares para depor o presidente foi intensificada.

A adesão de Kruel ao golpe de Estado que destituiu o presidente e instaurou o regime militar no Brasil só se deu praticamente no momento em que este foi deflagrado, no dia 31 de março de 1964. Em agosto de 1966, passou para a reserva e foi promovido a marechal. Foi ainda deputado federal pela Guanabara entre 1967 e 1971, na legenda do oposicionista Movimento Democrático Brasileira, criado após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional n 2 (21/10/1965) e a instalação do bipartidarismo.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de agosto de 1996.

Foi casado em primeiras núpcias com Cândida Cezimbra Kruel, com quem teve um filho. Contraiu novas núpcias com Maria Helena Kruel.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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