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A trajetória política de João Goulart

<<  Almino Afonso

Almino Monteiro Álvares Afonso nasceu no dia 11 de abril de 1929, em Humaitá (AM), filho de Boemundo Álvares Afonso e de Dolores Monteiro Álvares Afonso.

Iniciou os estudos superiores na Faculdade de Direito do Amazonas, transferindo-se em 1949 para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Aí participou ativamente da campanha em prol do monopólio estatal do petróleo. Secretário de cultura da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo em 1952, tornou-se, no ano seguinte, presidente da entidade. Ainda em 1953, concluiu o curso de direito.

De volta ao Amazonas, elegeu-se deputado federal em 1958, na legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Empossado em 1959, nesse mesmo ano ingressou na Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), grupo interpartidário que defendia uma política de desenvolvimento autônomo da economia nacional. Ainda em 1959 transferiu-se para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), onde participou da formação do "grupo compacto", favorável à reforma agrária e à estatização de diversos setores da economia.

Em 1961, devido à crise gerada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e ao veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, foi constituída uma comissão mista, da qual Almino Afonso fazia parte, que propôs a instauração do regime parlamentarista de governo como uma solução conciliatória. A proposta foi aprovada pelo Congresso em 2 de setembro, e no dia 7, Goulart assumiu a presidência da República.

Reeleito em outubro de 1962, em janeiro de 1963 Almino Afonso foi nomeado ministro do Trabalho e Previdência Social, pouco depois do plebiscito que reinstalou o regime presidencialista. Um dos signatários do Estatuto do Trabalhador Rural, começou a se afastar de Goulart em abril, quando reconheceu como legal o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), entidade criada à margem da estrutura sindical oficial. No fim de maio, recusou-se a impedir que o CGT deflagrasse uma greve geral, cujo objetivo era pressionar o governo para que desse início às reformas de base. Em junho, foi afastado do ministério e retornou à Câmara dos Deputados.

Em 1º de abril de 1964, Almino Afonso foi um dos redatores de documento gravado por Goulart para ser transmitido pela Rádio Nacional, na qual o presidente afirmava que lutaria contra sua deposição, ocorrida no dia anterior, e denunciava o caráter reacionário do golpe militar. À noite, no entanto, Goulart seguiu para Porto Alegre e, daí para o exílio no Uruguai. Ainda em abril, Almino Afonso perdeu seu mandato e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, por força do Ato Institucional nº 1.

Permaneceu mais de uma década no exílio, tendo residido em diversos países da América do Sul. De volta ao Brasil em 1976, três anos depois ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido oposicionista criado pela instalação do bipartidarismo em 1965. Com o retorno ao pluripartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Secretário dos Negócios Metropolitanos do Estado de São Paulo (1983-1986), no governo de Franco Montoro, elegeu-se vice-governador na chapa vitoriosa do PMDB encabeçada por Orestes Quércia. Deixou o partido em 1990, filiando-se, nesse mesmo ano, ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), por cuja legenda disputou, sem êxito, o governo paulista, em outubro. Afastou-se do PDT em 1991, e três anos depois, filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira, pelo qual elegeu-se deputado federal em 1994. No final de 1997 ingressou no Partido Socialista Brasileiro. Em 1998, candidatou-se a uma vaga no Senado, mas não logrou ser eleito.

Casou-se com Lígia de Brito Álvares Afonso, com quem teve quatro filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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