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A trajetória política de João Goulart
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Vice-presidente pela primeira vez

 

A primeira vez que João Goulart concorreu – e ganhou – à vice-presidência da República foi nas eleições de 1955. A campanha que elegeu Juscelino Kubitschek presidente e Goulart vice-presidente foi marcada por acirradas disputas entre getulistas e antigetulistas. O suicídio de Getulio Vargas, em 24 de agosto de 1954, deixara um vácuo de poder e uma herança política disputada tanto por seus seguidores quanto por seus adversários, fosse para preservá-la, fosse para exterminá-la. Foram muitas as articulações em torno dos possíveis candidatos, chegando-se mesmo a se tentar lançar uma candidatura de "união nacional", com base numa composiçao entre os dois maiores partidos, o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN), em torno de um candidato único, capaz de unir a direita e o centro e, assim, evitar o sucesso de uma candidatura "getulista".

Fracassada a tese da "união nacional", em 10 de fevereiro de 1955 o PSD homologou o nome de Kubitschek como candidato do partido à presidência da República. Sem o apoio de diretórios importantes, como o de Pernambuco e o do Rio Grande do Sul, Juscelino buscou uma aproximação com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) para compor a sua chapa. Político habilidoso, ele sabia que o sucesso de sua candidatura estava condicionado a uma sólida aliança com o PTB, partido de Vargas, mais precisamente, com o seu presidente, João Goulart. Jango, como era conhecido, na condição de herdeiro político de Vargas, trouxera a si a responsabilidade de rearticular o partido trabalhista após a crise de 1954, de modo a poder enfrentar o desafio das urnas nas eleições do ano seguinte. Poucos dias após a homologação do nome de JK como candidato do PSD, foi selado o acordo com o PTB, com Goulart concorrendo à vice-presidência.

A aliança PSD-PTB assustava os detratores de Vargas. Eles não estavam dispostos a permitir que o varguismo ganhasse novo fôlego com o provável sucesso desta coligação, apoiada, inclusive, pelo Partido Comunista Brasileiro. Para os udenistas, que tinham no jornalista Carlos Lacerda seu mais importante porta-voz, tratava-se de impedir a todo custo a vitória de JK e Jango. Várias foram as tentativas de inviabilizar o pleito. Uma delas consistiu na divulgação de uma carta falsa, datada de agosto de 1953 e endereçada ao então ministro do Trabalho, João Goulart, referindo-se a supostos contatos feitos por ele com o presidente argentino Juan Perón, com vistas a implantar uma república sindicalista no Brasil. Ainda como parte da estratégia para derrubar a aliança PSD-PTB, a UDN apresentou uma emenda, que não foi aprovada, transferindo a eleição para a Câmara dos Deputados, caso nenhum candidato alcançasse a maioria absoluta dos votos, ou seja, um mínimo de 50% +1 votos.

Esses exemplos dão bem o tom desse tumultuado processo eleitoral. Contudo, a despeito das dificuldades, as eleições se realizaram na data prevista, 3 de outubro de 1955, a ela concorrendo quatro candidatos à presidencia: Juscelino Kubitschek, pela coligação PSD-PTB; Juarez Távora, pela UDN e outros partidos menores; Ademar de Barros, pelo Partido Social Progressista (PSP) e Plínio Salgado, pelo Partido da Representação Popular (PRP). Pode-se dizer que o pleito presidencial de 1955 foi o mais disputado até então. Juscelino elegeu-se presidente com apenas 33,82% dos votos válidos. Com esse percentual de votos, se a tese da maioria absoluta defendida pela UDN tivesse sido aprovada, a eleição teria sido decidida pela Câmara dos Deputados.

Como a eleição à época não era vinculada – votava-se para presidente e para vice separadamente – era possível que candidatos à vice obtivessem mais votos do que os candidato à presidente ou que se elegesse o presidente de uma chapa e o vice-presidente de outra chapa. Curiosamente as duas possibilidades ocorreram com Jango nas duas vezes em que concorreu ao cargo de vice-presidente. Em 1955 obteve mais votos do que JK e em 1960, elegeu-se vice-presidente apesar do seu companheiro de chapa, o marechal Henrique Lott, ter sido derrotado.

Suely Braga

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