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A trajetória política de João Goulart
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Os estudantes e a política

 

José Serra, ex-presidente da UNE, deixa o país. Em julho de 1964. Durante a gestão de João Goulart na presidência da República, os estudantes estiveram sempre muito presentes no cenário político nacional, participando de campanhas e manifestações populares em prol da resolução de problemas econômicos, políticos e sociais do país, além de lutarem por suas reivindicações específicas, como era o caso da reforma universitária, que integrava o rol das chamadas reformas de base. Reunidos em torno de seu principal organismo, a União Nacional dos Estudantes (UNE), integraram uma ampla frente anti-latifúndio e anti-imperialismo, que incluía também a Frente de Mobilização Popular (FMP), a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as Ligas Camponesas, entre outros.

A UNE foi fundada por ocasião do I Congresso Nacional de Estudantes, no Distrito Federal, em agosto de 1937, tendo sido oficializada em dezembro de 1938. Nas décadas seguintes, participou das grandes campanhas nacionais como "o petróleo é nosso", a gratuidade do ensino, a defesa da escola pública e a reforma universitária, sendo essa última sua principal bandeira de luta nos anos de 1960.

A radicalização política foi a principal característica da entidade estudantil no governo Goulart. Várias organizações de esquerda estavam nela representadas, entre as quais o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Comunista do Brasil (PC do B), a Ação Popular (AP), a Política Operária (Polop). Por ocasião da posse de Jango, em setembro de 1961, a entidade era presidida por Aldo Arantes, oriundo da Juventude Universitária Católica (JUC) e um dos fundadores, no ano seguinte, da AP, força política hegemônica na UNE desse período. Os dois outros presidentes desse período – Vinícius Caldeira Brandt (1962) e José Serra (1963) – também eram filiados à AP.

Duas iniciativas importantes e interrelacionadas marcaram a atuação da UNE nesse período: o Centro Popular de Cultura (CPC) e a UNE volante, cujo objetivo era disseminar nos estados o movimento de cultura popular desenvolvido pelo CPC. A UNE volante e os CPCs foram dois importantes instrumentos utilizados pelos estudantes na luta pelas suas reivindicações, entre elas a "representação de 1/3", que dizia respeito à participação dos estudantes nos órgãos colegiados das universidades, na proporção de 1/3, com direito a voz e voto. Essa luta culminou com a greve nacional dos estudantes, decretada em junho de 1962.

Os estudantes foram, sem dúvida, um dos principais setores responsáveis pelo clima de efervescência política daquele período. Por essa razão foram duramente perseguidos e reprimidos durante o regime militar que se instaurou com o golpe de 1964. No dia seguinte ao golpe, a UNE foi extinta e sua sede incendiada. A entidade iniciava, naquele momento, um longo período de clandestinidade.

Célia Maria Leite Costa

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