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A trajetória política de João Goulart
Do Rio Grande do Sul para a política nacional > Deputado federal e presidente nacional do PTB

Deputado federal e presidente nacional do PTB

Em 1950 Jango funcionou como um dos coordenadores da campanha presidencial de Getúlio e o acompanhou em viagens pelo país. Ao mesmo tempo, transformava-se em um dos principais articuladores nacionais do PTB, partido que se caracterizava por uma grande instabilidade em sua direção nacional e por freqüentes cisões internas. O partido nascera em 1945, dentro do Ministério do Trabalho, e se propunha a dar forma partidária à rede sindical corporativa criada pelo Estado Novo. Inicialmente teve um diretório nacional composto de sindicalistas, mas rapidamente sua composição foi mudando no sentido de dar lugar a getulistas não vinculados ao mundo operário ou à burocracia sindical. Como partido de Getúlio, era alvo constante de disputas entre sindicalistas, empresários e getulistas em geral, pois se antevia que o carisma do ex-presidente era garantia de dividendos eleitorais. As disputas envolviam principalmente o controle da direção nacional e das sessões regionais do Distrito Federal e de São Paulo, unidades da federação em que se previa maiores possibilidades de crescimento para o petebismo.

Nesse mesmo ano de 1950, Jango elege-se deputado federal pelo Rio Grande do Sul, toma posse em janeiro de 1951, mas licencia-se em fevereiro para ocupar o cargo de secretário do Interior e Justiça do governo gaúcho, chefiado por Ernesto Dornelles, primo do Vargas. Nesta função, continua atuando no sentido de ampliar as bases nacionais e regionais do PTB e a intensificar seus contatos com os sindicatos.

Reeleito em março de 1952 para a presidência da comissão executiva estadual do PTB, dois meses depois é eleito presidente nacional do partido. Por conta disso, muda-se para o Rio de Janeiro em meados de 1952 onde reassume o mandato de deputado federal e passa a atuar, a pedido de Vargas, como gestor das crises internas do partido visando a restabelecer a unidade interna na cúpula petebista.

Desde sua criação em 1945, até meados de 1952, o PTB tivera quatro presidentes nacionais, rotatividade que expressava as disputas internas. Além disso, algumas sessões regionais, especialmente a de SP, eram motivo de constantes críticas e reprimendas da direção nacional. Como deputado e presidente do PTB, Jango passa também a ser um dos responsáveis pelas nomeações de sindicalistas e getulistas para a direção dos institutos de previdência social, uma das instituições mais importantes na política e no empreguismo do governo. A aproximação com os trabalhadores intensifica-se e torna-se o interlocutor principal do governo junto aos sindicatos. Em inícios de 1953, quando vai para o Ministério do Trabalho, sua imagem já estava consagrada como nacionalista, homem de Vargas, do PTB e dos sindicatos.

Jango atuou como o agente que fez a relação, tão estável e eficiente quanto polêmica, entre o PTB, os trabalhadores representados nos sindicatos e o governo - o de Vargas, o de JK e o seu. Foi também pela via sindical que se aproximou dos comunistas. Tudo isso funcionou como a argamassa que deu o sucesso eleitoral ao PTB e, ao mesmo tempo, produziu as suspeitas de não ser um partido confiável pelas elites nem pelo capital internacional.

Foi reeleito deputado federal, em 1954, mas de novo passa pouco tempo na Câmara Em outubro de 1955 elegeu-se vice-presidente da República na chapa do PSD/PTB encabeçada por Juscelino Kubitschek.

Ao contrário de sua atuação parlamentar – que foi curta, esporádica e inexpressiva –, a liderança sobre o partido foi duradoura e eficaz. Não apenas porque sabia compor alianças e negociar interesses, mas porque fora identificado como o principal chefe do getulismo trabalhista. Como homem da confiança de Getúlio, permanece na direção nacional do partido até ser deposto em 1964 e funciona de fato como sua principal chefia até a extinção da legenda em outubro de 1965.

Maria Celina D'Araujo

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Telegrama de João Goulart a Getúlio Vargas sobre a convenção do PTB/RS para a eleição de seu novo diretório e investidura de João Goulart nos cargos de presidente da Comissão executiva gaúcha e presidente do diretório estadual do partido, para o biênio 1952/1954. [Março de 1952].

(CPDOC/FGV/arquivo Getúlio Vargas/GV 1952-03-27-2)

Bilhete de João Goulart a Hugo de Faria solicitando as providências necessárias à constituição do sindicato dos garimpeiros. [Entre fevereiro e março de 1954].

(CPDOC/FGV/arquivo João Goulart/ JG ptb 1955-02-10)

   

 

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