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A trajetória política de João Goulart

A campanha presidencial de 1960

A campanha presidencial de 1960

 

Dir/esq: Henrique Teixeira Lott (ao centro) e João Goulart (discursando) durante reunião no comitê central pró-candidatura Lott e Jango, entre fevereiro e outubro de 1962 O visível esgotamento do estilo político de improvisação do presidente Juscelino Kubitschek, a crise econômica e a ascensão das massas na cidade e no campo criaram sérias dificuldades para o governo encontrar um candidato à sucessão presidencial que desse continuidade à sua política desenvolvimentista. A tentativa de aproximação da aliança PSD-PTB com a UDN, o maior partido da oposição, foi rechaçada por Carlos Lacerda, um dos principais líderes udenistas, que defendia o nome de Jânio Quadros para candidato do partido à presidência da República.

Esq/dir: Jânio Quadros (ao centro) em evento do Movimento Popular Jânio Quadros, entre 1959 e 1960 Jânio havia se projetado na vida política de São Paulo devido à sua eficiência administrativa e à sua independência com relação aos partidos. Em abril de 1959, foi lançado candidato à presidência pelo recém-fundado Movimento Popular Jânio Quadros (MPJQ), de caráter suprapartidário. Nesse mesmo mês, a convenção nacional do Partido Trabalhista Nacional (PTN) escolheu-o seu candidato à sucessão presidencial. Em novembro do mesmo ano, mais três pequenos partidos – o Partido Libertador (PL), o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Republicano (PR) – apoiaram a sua candidatura.

Enquanto isso, o PSD e o PTB, empenhados em manter a aliança vitoriosa em 1955, decidiram-se pelo nome do marechal Henrique Teixeira Lott para cabeça da chapa que disputaria a presidência da República. Dentro do PTB, o vice-presidente João Goulart despontava como o nome natural para concorrer uma vez mais ao cargo, embora enfrentasse forte resistência nos setores conservadores do PSD e nos meios militares. Mesmo assim, foi escolhido para o cargo, durante a convenção nacional do PTB, realizada em maio de 1959

As atenções voltavam-se agora para a UDN, que começava a vislumbrar na candidatura de Jânio Quadros a oportunidade de derrotar a oligarquia pessedista e o trabalhismo em ascensão. Jânio aceitou ser candidato, mas impôs como condição independência em relação às negociações partidárias. De fato, Jânio já havia ganho o apoio de diversos partidos de pouca expressão eleitoral e, ao mesmo tempo, demonstrava muita tolerância com relação ao Movimento Jan-Jan, iniciativa de caráter não oficial surgida ainda em 1959 e que lançara Jânio para presidente e Jango para vice, ambos efetivamente eleitos em outubro de 1960.

As dificuldades entre Jânio e a UDN, que marcariam o curto governo janista, já se faziam presentes durante a campanha presidencial. Com relação à política econômica, ele prometia se empenhar no controle da inflação e no saneamento das finanças públicas, aliados ao desenvolvimento econômico; defendia o fortalecimento da Petrobrás e o controle das remessas de lucros para o exterior, aproximando-se, assim, das teses defendidas pelo PTB. Mas era sobretudo seu posicionamento em relação à política externa que o distanciava da UDN. A visita que fez à Cuba, em março de 1960, quando demonstrou simpatia pela experiência socialista em curso naquele país, deixou claro esse distanciamento.

Jânio Quadros venceu as eleições presidenciais de outubro de 1960, tendo recebido 48% dos votos do eleitorado, contra 32% dados a Henrique Teixeira Lott e 20% a Ademar de Barros. Tomou posse, juntamente com João Goulart, no dia 31 de janeiro de 1961. Após 15 anos de domínio do PSD, a oposição finalmente chegava ao poder, embora com uma bancada minoritária no interior do Congresso. Em pouco tempo, instalou-se o conflito entre o Executivo e o Legislativo, que levaria o país à grande crise de agosto de 1961, cujo ápice foi a renúncia de Quadros e o veto dos ministros militares à posse do vice-presidente Goulart.

Celia Maria Leite Costa

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