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O Governo de Juscelino Kubitschek
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Crítico de arte, jornalista e ativista político de esquerda, nasceu em Timbaúba (PE), em 1900. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, quando começa a interessar-se por questões sociais e pelo marxismo. Em 1924, já formado e vivendo em São Paulo, passa a assinar a coluna de crítica literária do jornal Diário da Noite. Em 1926 ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), e no ano seguinte foi encaminhado para a Escola Leninista de Moscou. Acabou se instalando em Berlim por problemas de saúde, onde dedicou-se ao estudo da economia, filosofia e estética. Retorna ao Brasil em 1929 e, no interior do PCB, passa a integrar o grupo de simpatizantes trotskistas.

Ao longo da década de 1930, apesar da repressão crescente aos movimentos de esquerda, manteve uma intensa militância política, tendo sido preso em 1932. Neste mesmo ano, em São Paulo, juntamente com outros companheiros, fundou a editora Unitas com o objetivo de publicar textos marxistas no Brasil. Em 1933 fez sua estréia como crítico de arte. Foi um dos fundadores do Partido Operário Leninista em 1936, mas optou pelo exílio na Europa quando da decretação do Estado Novo. Em Paris, no ano de 1938, foi um dos fundadores da IV Internacional e tornou-se membro de seu comitê executivo. Volta clandestinamente para o Brasil em 1941, quando é novamente preso. Solto com a condição de deixar imediatamente o país, segue para os Estados Unidos, indo trabalhar na União Pan-Americana. Em 1942 publica um artigo sobre os painéis executados pelo artista brasileiro Cândido Portinari na Biblioteca do Congresso norte-americano, em Washington. Em 1943 vai trabalhar na seção de cinema do Escritório de Coordenação de Negócios Interamericanos em Nova Iorque. De 1943 até 1945 foi correspondente nos Estados Unidos do jornal carioca Correio da Manhã. De volta ao Brasil em 1945 participou da criação da União Socialista Popular e do semanário A Vanguarda Socialista.

Em 1949 concorreu à cátedra de história da arte e estética da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil, e seu trabalho sobre arte e gestalt influenciou jovens artistas que se tornariam importantes nomes da arte concreta nos anos 1950, como Ivan Serpa. Em 1951 tornou-se livre-docente desta mesma faculdade. Ainda em 1949, criou a seção de artes plásticas do Correio da Manhã, além de ter escrito um estudo sobre o painel Tiradentes, de Portinari.

Em 1953 organizou o programa artístico da II Bienal de São Paulo. Em 1957, num momento de reformulação do Jornal do Brasil, foi responsável pela criação da coluna de artes plásticas daquele jornal carioca. Em 1958, no Japão, organizou uma exposição sobre a arquitetura brasileira. No ano seguinte organizou o Congresso Extraordinário Internacional de Críticos de Arte, realizado em Brasília – ainda em fase de construção – São Paulo e Rio de Janeiro, quando apresentou trabalho intitulado Brasília, a cidade nova, síntese das artes. Em 1961 foi escolhido secretário-geral da IV Bienal de São Paulo e nomeado diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Em 1963, volta a escrever no Correio da Manhã artigos sobre arte e política. Em 1968, integrou o júri da Bienal de Gravura em Varsóvia, Polônia, e no ano seguinte, o júri da Bienal de Gravura de Tóquio.

Foi processado em 1970 sob acusação de difamação do regime no exterior, ao denunciar a existência de práticas de tortura a presos políticos, buscando asilo no Chile. Ao se tornar público o seu pedido de asilo, o The New York Times Review of Books publicou carta aberta assinada por importantes artistas como Picasso, Calder, Henry Moore e Max Bill, responsabilizando o governo brasileiro por sua integridade física.

No Chile, lecionou na Faculdade de Belas Artes de Santiago. Com a queda e morte de Allende em setembro de 1973, seguiu para a cidade do México e depois para Paris, onde permaneceu por quatro anos e publicou inúmeros artigos para revistas de várias partes do mundo. Regressou ao Brasil em 1977, quando foi absolvido por unanimidade. No ano seguinte, passa a escrever no jornal Folha de S. Paulo e a atuar intensamente na reconstrução do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) após o incêndio que o destruira. Em 1979, sua tese Da natureza afetiva da forma na obra de arte e outros ensaios foram publicados sob o título Arte/forma e personalidade.

Empenhou-se ativamente na criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, tornando-se o primeiro intelectual a se filiar a esta agremiação política. Dias antes de falecer no Rio de Janeiro, em 1981, lançou uma coletânea de artigos sobre artes plásticas sob o título Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. Publicou vários livros desde fins da década de 1940, sobretudo sobre artes plásticas.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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