A- A+

O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  João Paulo Burnier

João Paulo Moreira Burnier nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 18 de outubro de 1919, filho de Otávio Penido Burnier e de Margarida Moreira Penido Burnier.

Sentou praça em abril de 1939, ingressando na Escola Militar do Realengo (RJ). Em janeiro de 1941 transferiu-se para a Escola de Cadetes da Aeronáutica, pela qual saiu aspirante-aviador em setembro de 1942. Promovido a segundo-tenente em maio de 1943, passou sucessivamente a primeiro-tenente em novembro de 1944 e a capitão-aviador em maio de 1946. Em outubro de 1950 foi promovido a major-aviador e em janeiro de 1957 a tenente-coronel-aviador.

Contrário ao governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), chefiou a Revolta de Aragarças. Posteriormente exilou-se na Bolívia. Em abril de 1960, o Congresso Nacional votou contra o pedido de anistia aos revoltosos encaminhado pela União Democrática Nacional (UDN). De sua parte, os rebeldes, do exílio, declararam não estar interessados em nenhum projeto de anistia. Assim, Burnier só retornou ao Brasil no primeiro semestre de 1961, no governo de Jânio Quadros.

Já promovido a coronel, esteve em 1963 no Panamá, onde fez cursos ligados à instalação de um serviço secreto na Força Aérea Brasileira (FAB). Foi partidário do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 31 de março de 1964.

Depois de receber a patente de brigadeiro-do-ar,no governo do marechal Artur da Costa e Silva foi designado, em 1968, para servir na chefia da seção de informações do gabinete do ministro da Aeronáutica. Nesse cargo, durante o primeiro semestre de 1968, foi envolvido no chamado "Caso Para-Sar". Segundo depoimento do capitão-aviador reformado Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, Burnier foi o idealizador das "missões especiais", que teriam por objetivo eliminar sumariamente as pessoas que atiravam objetos contra a polícia do alto dos edifícios do centro do Rio de Janeiro durante as manifestações estudantis iniciadas com a morte do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, em março de 1968.

Em abril de 1970, já no governo do general Emílio Garrastazu Médici, Burnier assumiu o comando da III Zona Aérea (ZA), sediada no Rio de Janeiro. Em novembro de 1971, diante das repercussões da morte do estudante Stuart Angel Jones, ocorrida, segundo Hélio Silva, em decorrência de torturas nas dependências do Cisa, na Base Aérea do Galeão — área sob jurisdição da III ZA —, Sousa e Melo pediu demissão, sendo substituído pelo brigadeiro Joelmir de Araripe Macedo. No início de dezembro o novo ministro afastou um grupo de oficiais ligados a Sousa e Melo, entre os quais Burnier, que passou para a reserva remunerada. Seu substituto à frente da III ZA foi o brigadeiro Faber Cintra.

Depois de recorrer, sem sucesso, no Supremo Tribunal Federal, contra o ato do presidente Médici, que assinara o decreto transferindo-o para a reserva, Burnier ingressou na iniciativa privada, fundando em 1974, ao lado de outros militares, a Xtal do Brasil, empresa voltada para a industrialização e para a comercialização do cristal de quartzo.

Em setembro de 1980 o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Matos, indeferiu o pedido feito por Burnier de constituição de um conselho de justificação destinado a apurar seu envolvimento no "Caso Para-Sar". Em 1995, tentou impedir que o livro O calvário de Sônia Angel, de autoria do tenente-coronel reformado do Exército João Luís de Morais, pai de Sônia e sogro de Stuart Angel, fosse colocado à venda. A obra falava da morte de Stuart e também do "Caso Para-Sar".

Ao longo de sua carreira militar, Burnier fez os cursos de tática aérea, de estado-maior da Aeronáutica e da Escola Superior de Guerra (Esg).

Casou-se com Nilza de Alencar Sabóia Burnier, com quem teve seis filhos. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 13 de junho de 2000.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

  Twitter Facebook Youtube Flickr Eclass      Mais   

   

 

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
RIO: Praia de Botafogo, 190, 14º andar, Rio de Janeiro - RJ - 22250-145 • Tels. (21) 3799.5676
SÃO PAULO: Avenida Paulista, 1471, 1º andar, Bela Vista - São Paulo - 01311-200 • Tel: (11) 3799 -3755
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2017. Todos os direitos reservados • Usando: Drupal! • Use versões recentes do IE, Firefox, Chrome, Opera
Lista de URLs do CPDOC Busca: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/page-sitemap

Portal FGVENG

Escolas FGV

Acompanhe na rede