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O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  Carmen Portinho

Engenheira e militante feminista, nasceu em Corumbá (MT), em 26 de janeiro de 1903, mudando-se muito cedo para o Rio de Janeiro. Militou entusiasticamente nas décadas de 1920 e 1930 em prol da conquista feminina e do reconhecimento profissional das mulheres.

Em 1919, participou, com Bertha Lutz, da organização do movimento sufragista. Atuou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino desde sua fundação, chegando à vice-presidência. Tomou parte, também, na criação da União Universitária Feminina no ano de 1932. Na defesa do direito das mulheres ao voto, Carmen e outras companheiras chegaram a sobrevoar o Rio de Janeiro, na década de 1920, lançando panfletos em defesa do sufrágio feminino: "Isso no tempo em que nem aviões decentes existiam", comentou em uma entrevista.

Conta Carmen que elas propunham às mulheres que não mudassem o nome ao se casar, em atitude demonstrativa de independência e resistência. Ela mesma não adotou o nome do marido, o arquiteto Affonso Eduardo Reidy.

Em 1937, ajudou a criar a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA) e foi sua primeira presidente. Na ocasião, esta era a única entidade profissional de classe composta exclusivamente por mulheres.

Desde 1925, ainda no último ano do curso de engenharia, começou a dar aulas no Colégio Pedro II. O fato de uma mulher ministrar aulas num internato masculino foi considerado um escândalo. O próprio ministro da Justiça quis interferir em sua nomeação para o colégio, mas não conseguiu tirá-la da cátedra. Assim sendo, Carmen permaneceu lecionando por mais três anos, até que decidiu pedir demissão.

Em 1926 formou-se em engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade do Brasil, sendo a terceira mulher a se formar engenheira no país. Fez uma brilhante carreira profissional. Ao colar grau foi nomeada engenheira-auxiliar pelo então prefeito Alaor Prata, paraninfo da turma. A nomeação foi provavelmente motivada, segundo seu depoimento, por ser a única mulher entre os formandos. Ingressou no quadro de engenheiros da Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Distrito Federal. Após ser promovida, sua primeira construção foi a Escola Ricardo de Albuquerque, no subúrbio carioca do mesmo nome.

Ainda na década de 1930, Carmen fez o primeiro curso de urbanismo do país. Poucos anos depois recebeu uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar junto às comissões de reconstrução e remodelação das cidades inglesas destruídas pela guerra. Chegou à Inglaterra com a guerra ainda em curso, sentindo os gravers problemas de falta de moradia, e acompanhou de perto as propostas e o esforço para sua solução.

Voltando ao Rio de Janeiro, propôs e construiu, na década de 1950, o conjunto residencial Pedregulho, no bairro de São Cristóvão. O projeto arquitetônico foi de seu marido Affonso Eduardo Reidy, que trabalhava sob sua chefia e que também projetou o conjunto da Gávea, de cuja execução Carmen foi a engenheira responsável. A construção dos conjuntos habitacionais projetou-a no Brasil e no exterior como engenheira de renome. Não chegou, porém, a acompanhar até o fim a construção do conjunto Pedregulho, pois com a ascensão do jornalista Carlos Lacerda ao governo da Guanabara em 1962, Carmen pediu demissão do serviço público.

Assumiu, então, a construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam-RJ), também projetado por Reidy. Em 1966, a convite do então governador Francisco Negrão de Lima, criou a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), uma experiência pioneira para a época, pois havia poucas escolas de desenho industrial no mundo. A mais famosa era a Bauhaus, na Alemanha. Carmen dirigiu a Esdi por 20 anos, só deixando o cargo quando a escola foi incorporada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), instituindo-se o rodízio para os cargos de direção.

Em 1987, foi convidada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CDNM) a entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães, ao lado de outras mulheres, a Carta das Mulheres aos constituintes, com propostas para a Constituição que estava sendo escrita.

Casou-se com o arquiteto Afonso Eduardo Reidy. Faleceu em 25 de junho de 2001.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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