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O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  Odílio Denis

Odílio Denis nasceu em Santo Antônio de Pádua (RJ) no dia 17 de fevereiro de 1892, filho de Otávio Denis e de Maria Luísa Denis.

Na Escola Militar do Realengo (RJ) fez os cursos de infantaria e cavalaria. Declarado aspirante em abril de 1915, foi imediatamente destacado para servir em Bajé (RS). Em junho de 1921, foi promovido a primeiro-tenente. Em 1922 participou do levante deflagrado por jovens oficiais do Exército contra o governo federal, que deu início ao ciclo de revoltas tenentistas que marcariam a politica brasileira na década de 1920.

A partir de 1º de novembro de 1930 passou a exercer o comando da Escola de Sargentos de Infantaria da Vila Militar, pelo qual respondeu até agosto de 1931, quando foi transferido para o 2º Regimento de Infantaria (2º RI), igualmente sediado na Vila Militar, sem prejuízo do curso que começou a fazer na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, sob orientação da missão militar francesa.

Em 1933 foi convocado pelo ministro da Guerra, general Góis Monteiro, para servir como seu oficial-de-gabinete. Nessa função permaneceu de janeiro de 1934 a maio de 1935, quando foi indicado para cursar a Escola de Estado-Maior. Em setembro de 1937, foi promovido a tenente-coronel e imediatamente designado para comandar o 7º BC em Porto Alegre.

Em 13 de maio de 1938, Denis foi designado, por indicação de Getúlio Vargas para comandar o 1º BC em Petrópolis. Nesse mesmo mês foi promovido a coronel e nomeado comandante do Batalhão de Guardas da capital da República. Ficou apenas três meses no Batalhão de Guardas, retornando a Petrópolis, de onde só sairia em março de 1940. Em junho desse ano foi convidado para comandar a Polícia Militar do Distrito Federal.

Em 1946 ocupou a secretaria geral do Ministério da Guerra, sendo enviado para comandar a 8ª Região Militar (8ª RM), em Belém. Em julho foi transferido para Santa Maria (RS), onde assumiu o comando da 3ª Divisão de Infantaria. Promovido a general-de-divisão em outubro, no mês seguinte passou a comandar a 1ª Divisão de Infantaria no Rio de Janeiro. Ali foi mantido até dezembro de 1948. Entre janeiro e fevereiro de 1949 comandou a 2ª RM, em São Paulo. Foi então elevado ao comando da Zona Militar Centro, com sede na capital bandeirante, e que incorporava as unidades da 2ª e da 9ª RM. Em abril de 1950 foi designado para chefiar o Departamento Geral de Administração do Exército. Nesse posto, foi promovido a general-de-exército em agosto de 1952. Um mês depois embarcou para Porto Alegre, onde assumiu o comando da Zona Militar Sul.

No início de 1954 Odílio Denis assumiu, no Distrito Federal, o comando da Zona Militar Leste, antecessora do I Exército. Com o suicídio de Vargas, sua missão consistiu em manter a ordem na capital, impedindo depredações contra a embaixada norte-americana e o Ministério da Aeronáutica, alvos principais da indignação popular ante o desfecho dos acontecimentos. A conduta de Denis durante a crise foi elogiada pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, que decidiu mantê-lo no comando da zona militar.

Com a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart na presidência e vice-presidência da República em 31 de janeiro de 1956, Denis permaneceu no comando da Zona Militar Leste. Em conseqüência de sua participação nos acontecimentos de 11 de novembro, foi um dos chefes militares mais combatidos pelas correntes políticas com as quais iria fazer aliança mais tarde, em 1961 e 1964. Esses ataques tornaram-se mais agressivos em agosto de 1956, quando Juscelino, baseado em lei do Congresso, conhecida na época como Lei Denis, adiou por dois anos sua transferência para a reserva. Nesse mesmo mês houve mudanças nominais na estrutura militar do Exército. As zonas militares Leste, Centro, Sul e Norte passaram a denominar-se, respectivamente, I, II, III e IV Exércitos. Foi criado também, para o extremo norte do país, o Comando Militar da Amazônia, com sede na capital paraense. Denis foi confirmado no comando que exercia, agora dito do I Exército.

O prazo concedido pela Lei Denis esgotou-se em agosto de 1958. Foi, porém, trasnsferido pôr Juscelino para a reserva e reconvocado em seguida para o serviço ativo, conservando-se no comando do I Exército, já no posto de marechal, até 15 de fevereiro de 1960, quando foi nomeado ministro da Guerra. Todavia, após a vitória de Jânio em 3 de outubro de 1960, os oficiais da Cruzada não se mostraram passivamente favoráveis à continuação de Denis no ministério.

Em 31 de janeiro de 1961 Jânio assumiu a presidência na nova capital da República, Brasília, inaugurada no ano anterior por Juscelino Kubitschek. Em meados de 1961, confiou ao vice-presidente João Goulart uma extensa missão de boa vontade à Europa Oriental e à República Popular da China. Inesperadamente, em 25 de agosto, depois de participar das comemorações do Dia do Soldado em Brasília, Jânio Quadros enviou comunicação ao Congresso Nacional informando que renunciava à presidência da República.

Os ministros militares reuniram-se sob a presidência de Denis para um exame da situação, concluindo pela inconveniência da posse de Goulart. Alegava Denis, juntamente com Sílvio Heck, ministro da Marinha, e Gabriel Grün Moss, ministro da Aeronáutica, que o passado político de Goulart, ligado às organizações sindicais, e comprometido com o desencadeamento de todos os movimentos grevistas ocorridos no país desde o início da década de 1950, configurava uma ameaça ideológica às forças conservadoras.

Como a divisão das forças armadas começasse a se generalizar, caminhando para o risco de uma confrontação, o marechal Denis e seus colegas Grün Moss e Sílvio Heck lançaram um manifesto explicando as razões da impugnação militar à posse do sucessor legal de Jânio. Diante do impasse militar, o problema retornou ao poder de decisão dos políticos e dos partidos. O Congresso, no dia 2 de setembro de 1961, modificou a Constituição, instituindo o sistema parlamentarista de governo, no qual os poderes de Goulart seriam consideravelmente reduzidos.

A 7 de setembro Goulart tomou posse perante o Congresso e todo o gabinete de Jânio Quadros foi substituído. Para o lugar do marechal Denis no Ministério da Guerra, foi nomeado o general João de Segadas Viana. Denis deixou Brasília e chegou ao Rio no dia 8 de setembro, sendo festivamente recebido pelos militares que o apoiaram durante a crise. A partir dessa data, afastou-se definitivamente do Exército e, aos 69 anos de idade, recomeçou a conspirar contra João Goulart.

Depois de abril de 1964 não exerceu maior atividade política ou militar. Em 1967 foi convidado pelo novo chefe da nação, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, para ser presidente de honra da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido criado em 1966 após a extinção das antigas agremiações políticas pelo Ato Institucional nº 2, em 27 de outubro de 1965, para fortalecer as bases do governo no Congresso. Não aceitou a oferta, declarando que a militância partidária nunca fora objeto de suas cogitações.

Casou-se com Maria Helza Bayma Denis, com quem teve cinco filhos. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 5 de novembro de 1985

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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