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O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  José Maria Alkmin

José Maria Alkmin nasceu em Bocaiúva (MG) no dia 11 de junho de 1901, filho de Herculano Augusto de Alkmin e de Sérgia Caldeira de Alkmin. Bacharelou-se em Direito. Em 1933, foi incluído na chapa do Partido Progressista Mineiro (PPM) como candidato às eleições à Assembléia Nacional Constituinte, sendo eleito com pequena votação.

Em 1935, logo após o início da legislatura, renunciou a seu mandato para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas de Minas Gerais, onde também ocupou a presidência. Designado secretário do Interior e Justiça do estado no ano seguinte, idealizou a reforma do sistema carcerário estadual.

Em 1945 reiniciou a carreira política como um dos fundadores do Partido Social Democrático (PSD), elegendo-se deputado por Minas Gerais à Assembléia Nacional Constituinte. Foi reeleito para a legislatura seguinte mas não assumiu sua cadeira na Câmara. Em 1951, foi empossado pelo governador Juscelino Kubitschek como secretário de Finanças de Minas. Permaneceu no cargo até ser nomeado diretor da Carteira de Redesconto do Banco do Brasil, tornando-se membro do Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc).

Em 1954, Alkmin foi reeleito deputado federal por Minas pelo PSD. Destacou-se como um dos principais articuladores da candidatura de Juscelino à presidência da República. Com a vitória de Juscelino, foi nomeado ministro da Fazenda, e ao assumir a pasta herdou a difícil situação econômico-financeira dos governos anteriores. Entretanto, em vez de formular uma política de estabilização financeira, propôs-se a impedir que os desequilíbrios comprometessem o êxito do programa desenvolvimentista de Kubitschek.

Opôs-se à reforma cambial e ao abandono da política de defesa do café, entrando em divergência com Lucas Lopes, presidente do BNDE, e Roberto Campos, diretor-superintendente da mesma entidade. Em março de 1956 Kubitschek rejeitou a reforma cambial, contando para tanto com o apoio decisivo de Alkmin. Assim, a política cambial continuou sem grandes modificações institucionais, tornando-se um dos instrumentos básicos da nova política de desenvolvimento industrial.

A política monetária de Alkmin procurou simultaneamente assegurar o crédito necessário à expansão dos investimentos públicos e atenuar as conseqüências mais perturbadoras da inflação. Em 1957, com a crise nos preços do café, decidiu reter parte da receita oriunda da exportação do produto com vistas à compra dos volumosos excedentes previstos para o ano, gerando grande descontentamento nos cafeicultores. Meses depois, tornou-se alvo de oposição dos deputados Aliomar Baleeiro e Carlos Lacerda, empenhados em denunciar irregularidades administrativas que teriam sido praticadas sob sua responsabilidade.

No mesmo ano, em reunião anual da Junta de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), Alkmin negociou empréstimos com o FMI e bancos privados norte-americanos. Propôs também o reatamento das relações comerciais com a União Soviética, encontrando forte oposição do general Henrique Teixeira Lott, que enviou memorial ao presidente Kubitschek responsabilizando Alkmin pelo agravamento da crise financeira nacional.

Em 1958 obteve novos financiamentos internacionais. Entretanto, o aumento da inflação no primeiro semestre do ano suscitou inúmeras críticas que precipitaram sua saída do Ministério da Fazenda. Demitiu-se e reassumiu então sua cadeira na Câmara, reelegendo-se pouco depois deputado federal. Em dezembro de 1959, Alkmin assumiu o cargo de vice-líder do PSD na Câmara Federal.

Durante o governo Jânio Quadros, foi vice-líder do bloco parlamentar de oposição formado pelo PSD, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pelo Partido Social Progressista (PSP), e um dos principais críticos da política econômico-financeira governamental. Durante a presidência de João Goulart, continuou a exercer a vice-liderança do PSD, tendo participação destacada no debate sobre as questões econômicas e financeiras. Em 1962, reelegeu-se deputado federal por Minas Gerais, ainda pelo PSD.

Em 1963, Alkmin e os líderes de maior influência do PSD retiraram o apoio inicialmente dado a Goulart, unindo-se à União Democrática Nacional (UDN) na luta contra as reformas de base. Em abril de 1964 foi eleito pelo Congresso vice-presidente do general Castelo Branco, que assumira a presidência com a deposição de Jango. No cargo até 1966, manteve uma atitude de discreto apoio ao governo.

Em 1965 filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), sendo reeleito deputado federal em 1966. Posteriormente, exerceu a secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais até 1970. Em 1973, com o falecimento de Edgar Pereira, assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados.

Morreu , em Belo Horizonte, em 1974.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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