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Fatos e Imagens: artigos ilustrados de fatos e conjunturas do Brasil

Augusto Amaral Peixoto

Augusto do Amaral Peixoto Júnior nasceu em 1901, no Rio de Janeiro. Seu irmão, Ernani do Amaral Peixoto, teve longa carreira política após a Revolução de 1930.

Cursou a Escola Naval do Rio de Janeiro, de onde saiu em 1922 como guarda-marinha. Promovido no ano seguinte a segundo-tenente, participou da repressão ao levante tenentista iniciado na capital paulista em julho de 1924, mas pouco tempo depois aderiu ao tenentismo. Assim, em novembro daquele mesmo ano, junto com Hercolino Cascardo e outros, sublevou o encouraçado São Paulo e o torpedeiro Goiás, que foram conduzidos para fora da baía de Guanabara e bombardeados. Enquanto o Goiás foi obrigado a se render, seguiu no São Paulo rumo ao porto de Montevidéu, onde se exilou.

No Uruguai, tomou parte em conspirações contra o governo brasileiro. Em 1926, participou da chamada Coluna Relâmpago, sublevação deflagrada numa unidade do Exército em Santa Maria (RS), sob a liderança dos irmãos Alcides e Nelson Etchegoyen, contra a posse de Washington Luís na presidência da República. Em abril de 1927, foi condenado, à revelia, a 11 anos de prisão, além de perder sua patente na Marinha.

Em 1930, participou em Porto Alegre das conspirações que antecederam o movimento revolucionário que depôs Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder. Iniciada a insurreição, tomou parte em operações militares no sul do país. Com a vitória do movimento, foi anistiado e reincorporado à Marinha e, em seguida, nomeado ajudante-de-ordens do ministro Conrado Heck.

Tesoureiro do Clube 3 de Outubro, organização criada logo após a instalação do novo governo com a finalidade de coordenar a atuação política dos "tenentes", combateu em 1932 o Movimento Constitucionalista deflagrado em São Paulo contra Vargas. No ano seguinte, elegeu-se deputado federal constituinte na legenda do Partido Autonomista, então fundado por Pedro Ernesto, interventor no Distrito Federal. Na Constituinte, defendeu as teses do Clube 3 de Outubro, apesar de na época já ter se ter afastado da organização. Em 1934 voltou a eleger-se deputado federal e em 1935 integrou na Câmara o Grupo Parlamentar Pró-Liberdades Populares, constituído com o objetivo de combater o integralismo e defender o regime democrático. Ao mesmo tempo, no interior do Partido Autonomista, alinhou-se à facção contrária a Pedro Ernesto.

Em 1937, manifestou-se contrário à instauração da ditadura do Estado Novo. Com a perda de seu mandato parlamentar em função do fechamento de todas as casas legislativas do país, retornou à Marinha e participou, em 1939, de missão militar enviada à Europa para a compra de armas. Entre 1941 e 1942, foi adido naval junto às embaixadas brasileiras no Uruguai e Argentina. De 1943 e 1945, dirigiu a Companhia Brasileira de Aços Finos, subordinada à Coordenação da Mobilização Econômica, órgão criado no período em que o Brasil esteve envolvido na Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, com a redemocratização do país, ingressou no Partido Social Democrático (PSD). Durante o governo Dutra (1946-1951), ocupou cargos do segundo escalão. Eleito em 1950 suplente de deputado federal pelo Distrito Federal, assumiu uma cadeira na Câmara em 1953 e exerceu o mandato até 1955. Solidário a Vargas na crise de agosto de 1954, compareceu à reunião realizada no palácio do Catete na noite que antecedeu ao suicídio do presidente.

Durante o governo de Juscelino Kubitscheck, presidiu a Caixa Econômica Federal. Em 1962, sempre no PSD, elegeu-se deputado estadual na Guanabara.

Contrário ao regime militar instalado no país em 1964, após o fim do pluripartidarismo em 1965, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao novo regime. Nessa legenda, reelegeu-se deputado estadual pela Guanabara, em 1966. Entre 1969 e 1971 foi ministro de Tribunal de Contas do estado da Guanabara.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1984.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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