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A revolta comunista de 1935

Carta de Luís Carlos Prestes a Estilac Leal conclamando-o a participar do movimento no Rio. 26/11/1935. Em março de 1935 foi criada no Brasil a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política cujo presidente de honra era o líder comunista Luís Carlos Prestes. Inspirada no modelo das frentes populares que surgiram na Europa para impedir o avanço do nazi-fascismo, a ANL defendia propostas nacionalistas e tinha como uma de suas bandeiras a luta pela reforma agrária. Embora liderada pelos comunistas, conseguiu congregar os mais diversos setores da sociedade e rapidamente tornou-se um movimento de massas. Muitos militares, católicos, socialistas e liberais, desiludidos com o rumo do processo político iniciado em 1930, quando Getúlio Vargas, pela força das armas, assumiu a presidência da República, aderiram ao movimento.

Telegrama do embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Oswaldo Aranha, informando os consulados brasileiros a decretação do estado de sítio no Brasil. Washington, 26/11/1935. Com sedes espalhadas em diversas cidades do país e contando com a adesão de milhares de simpatizantes, em julho de 1935, apenas alguns meses após sua criação, a ANL foi posta na ilegalidade. Ainda que a dificuldade para mobilizar adeptos tenha aumentado, mesmo na ilegalidade a ANL continuou realizando comícios e divulgando boletins contra o governo. Em agosto, a organização intensificou os preparativos para um movimento armado com o objetivo de derrubar Vargas do poder e instalar um governo popular chefiado por Luís Carlos Prestes. Iniciado com levantes militares em várias regiões, o movimento deveria contar com o apoio do operariado, que desencadearia greves em todo o território nacional.

Telegrama de Getúlio Vargas a Oswaldo Aranha. Novembro de 1935. O primeiro levante militar foi deflagrado no dia 23 de novembro de 1935, na cidade de Natal. No dia seguinte, outra sublevação militar ocorreu em Recife. No dia 27, a revolta eclodiu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Sem contar com a adesão do operariado, e restrita às três cidades, a rebelião foi rápida e violentamente debelada. A partir daí, uma forte repressão se abateu não só contra os comunistas, mas contra todos os opositores do governo. Milhares de pessoas foram presas em todo o país, inclusive deputados, senadores e até mesmo o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista.

Carta de Getúlio Vargas a Oswaldo Aranha, embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sobre os levantes de Recife, Natal e Rio de Janeiro. 14/12/1935. A despeito de seu fracasso, a chamada revolta comunista forneceu forte pretexto para o fechamento do regime. Depois de novembro de 1935, o Congresso passou a aprovar uma série de medidas que cerceavam seu próprio poder, enquanto o Executivo ganhava poderes de repressão praticamente ilimitados. Esse processo culminou com o golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que fechou o Congresso, cancelou eleições e manteve Vargas no poder. Instituiu-se assim uma ditadura no país, o chamado Estado Novo, que se estendeu até 1945.

Dulce Chaves Pandolfi

Para saber mais:

Dica: na consulta, escolha TODOS OS ARQUIVOS, clique no tipo de documento desejado, selecione no campo Assunto palavras ligadas ao tema, por exemplo, Revolta comunista (ou Levante comunista ou Intentona comunista) e em seguida execute a pesquisa.

Sugerimos a leitura de alguns verbetes que se encontram disponíveis no Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, tais como: Luis Carlos Prestes, Getúlio Vargas, Estado Novo.
Muitos outros textos sobre o tema podem ser consultados no dossiê Navegando na História - A era Vargas (1º tempo), particularmente o módulo Anos de Incerteza, tema Radicalização política.
Documentos e informações relacionadas ao assunto estão disponíveis on-line. Basta realizar a consulta em nossa base de dados Accessus.

 

Luís Carlos Prestes, ao centro, na prisão em 1941. (Arquivo Getúlio Vargas, GVfoto123)

Pedro Ernesto na prisão. (Arquivo Pedro Ernesto Batista, PEBfoto139_03)

Manifestação de apoio a Pedro Ernesto no dia de seu julgamento. Setembro de 1937. (Arquivo Pedro Ernesto Batista, PEBfoto140_04)

Manifestação de apoio a Pedro Ernesto no dia de seu julgamento. Setembro de 1937 (Arquivo Pedro Ernesto Batista, PEBfoto140_29)

   

 

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