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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Samuel Wainer

Samuel Wainer nasceu na cidade de São Paulo no dia 16 de janeiro de 1912, filho de Jaime Wainer e de Dora Wainer.

Embora formado em farmácia, jamais exerceu a profissão. Começou sua carreira de jornalista ainda estudante, no Diário de Notícias. Em 1938, após o golpe do Estado Novo (10/11/1937), fundou a revista mensal Diretrizes. Transformada, em 1941, em semanário, Diretrizes adotou uma linha de oposição ao regime ditatorial liderado por Getúlio Vargas, tendo diversas edições apreendidas. Em 1944, Diretrizes publicou uma entrevista de Lindolfo Collor, na qual o ex-ministro do Trabalho afirmava esperar que o fim da guerra contra o nazismo na Europa fosse acompanhado pelo término da ditadura no Brasil. Em conseqüência, o suprimento de papel ao jornal foi suspenso. Obrigado a retirá-lo de circulação, Wainer partiu para o exílio, primeiro no Chile e depois nos Estados Unidos, onde trabalhou como correspondente de O Globo.

Com o fim do Estado Novo (29/10/1945), retornou ao Brasil e reabriu Diretrizes. Em 1947 vendeu o jornal e em seguida foi contratado pela cadeia dos Diários Associados. Em fevereiro de 1949, quando a sucessão presidencial de Eurico Dutra estava em pleno andamento, viajou ao Rio Grande do Sul com o objetivo de realizar reportagens sobre a produção de trigo. Aproveitou a ocasião para tentar uma entrevista com o ex-presidente Vargas, que vinha evitando dar declarações aos jornais. Recebido por Vargas, obteve permissão para publicar nos jornais dos Diários Associados uma entrevista na qual Getúlio afirmava: "Voltarei como líder de massas."

Lançado pelo Partido Trabalhista Brasileiro, Vargas ganhou as eleições de 1950. Para romper o cerco imposto pela grande imprensa do país, Vargas começou a pensar num jornal que, sem ser do governo, pudesse defender suas iniciativas, e escolheu Samuel Wainer para viabilizá-lo. Com financiamentos concedidos pelo banqueiro Válter Moreira Sales, por Euvaldo Lodi, presidente da Confederação Nacional da Indústria, e pelo industrial Ricardo Jafet, presidente do Banco do Brasil, Wainer adquiriu o parque gráfico da empresa Érica e o prédio onde ele estava instalado. Oferecendo esses bens ao Banco do Brasil como garantia, conseguiu um empréstimo para constituir a Empresa Editora Última Hora S.A.

A Última Hora circulou pela primeira vez em junho de 1951 e seis meses depois já era o vespertino de maior circulação no Rio de Janeiro. Em março de 1952, o jornal começou a circular em São Paulo. A imprensa anti-Vargas desfechou uma campanha contra Wainer, acusando-o de favoritismo nas transações que efetuara com o Banco do Brasil. Liderada pela Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, a campanha assumia cada vez maior agressividade. Lacerda chegou a afirmar que Wainer era estrangeiro, o que o impediria de possuir ou dirigir qualquer órgão de imprensa no país, e que ele teria forjado uma certidão de nascimento, tendo incorrido assim em crime de falsidade ideológica. Em abril de 1953, foi instituída uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias. Em junho, depondo perante a CPI, Wainer recusou-se a mencionar os nomes de seus financiadores. Em setembro as conclusões da CPI foram desfavoráveis a Wainer, mas a situação não evoluiu.

Em 23 de agosto de 1954, no auge da crise que culminaria com o suicídio de Vargas, Wainer recebeu um pedido do presidente para que no dia seguinte a manchete da Última Hora fosse "Só morto sairei do Catete" e foi com esta manchete que o jornal circulou em 24 de agosto. Após a morte de Getúlio, Wainer manteve a Última Hora numa linha de cerrada oposição ao novo presidente, João Café Filho. O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) recebeu integral apoio da Última Hora, que defendeu a construção de Brasília, uma das suas iniciativas mais polêmicas.

Durante o governo de Jânio Quadros, o jornal apoiou algumas iniciativas no campo da política externa, como a aproximação com os países socialistas. Após a renúncia de Jânio (25/08/1961), a Última Hora defendeu a posse do vice-presidente João Goulart, que na ocasião sofreu uma tentativa de veto por parte dos ministros militares. Durante o governo Goulart, o jornal manteve-se sempre ao lado do presidente, apoiando suas propostas de reformas de base. Após o golpe militar de 31 de março de 1964, Wainer teve seus direitos políticos suspensos. Asilando-se na França, voltou ao Brasil em 1967 e reassumiu a direção da Última Hora. Vendeu o jornal em 1972. Trabalhou em diferentes órgãos da imprensa brasileira até o final da década de 1970.

Faleceu em São Paulo no dia 2 de setembro de 1980.

Foi casado três vezes e do matrimônio com Danusa Leão teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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