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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas

<<  Otávio Gouveia de Bulhões

Otávio Gouveia de Bulhões nasceu no dia 7 de janeiro de 1906, no Rio de Janeiro, filho de Godofredo de Bulhões e de Otávia de Bulhões.

Iniciou sua carreira na Diretoria Geral do Imposto de Renda do Ministério da Fazenda, em 1926. Em 1930, formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Mais tarde, doutorou-se pela mesma instituição e fez um curso de especialização em economia em Washington. Em 1939 foi nomeado chefe da seção de Estudos Econômicos e Financeiros do Ministério da Fazenda. Economista de orientação liberal, entre 1943 e 1950 foi consultor técnico e participou de diversos congressos, simpósios e conferências representando o Brasil. Membro do Conselho Nacional de Economia (CNE) de 1950 a 1954, neste último ano, com a morte do presidente Getulio Vargas (1951-1954) e a posse de João Café Filho (1954-1956), foi nomeado diretor da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), permanecendo no cargo até 1955.

De volta à Sumoc como superintendente, em 1961, no governo de Jânio Quadros, permaneceu no cargo até 1962, mesmo tendo discordância com as linhas básicas seguidas pelo governo de João Goulart (1961-1964). Em abril de 1964, após o golpe militar que afastou Goulart, Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados assumiu interinamente a presidência e nomeou um ministério provisório, do qual Bulhões fez parte como titular da pasta da Fazenda. O general Humberto Castelo Branco, que assumiu o governo ainda em abril, manteve-o no ministério.

Bulhões e Roberto Campos, ministro extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica, foram os responsáveis pela elaboração do Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), linha-mestra da política econômica do governo Castelo. Tendo como objetivo básico combater a inflação, o PAEG promoveu uma severa contenção do crédito e instituiu uma nova fórmula salarial, que, na prática, provocou uma acentuada deterioração do poder de compra dos salários. O combate à inflação obteve um sucesso relativo (as taxas de inflação permaneceram em patamares toleráveis, 34,5% em 1965 e 38,8% em 1966), mas em contrapartida a política de estabilização provocou uma virtual estagnação econômica, particularmente grave em São Paulo.

Duas outras questões enfrentadas por Bulhões e Roberto Campos foram a da dívida externa – que alcançava US$3,8 bilhões, dos quais 48% deveriam ser pagos até 1965 – e a da compra das dez empresas de energia elétrica controladas pela American and Foreign Power Company (Amforp) que operavam no Brasil. Os entendimentos com os credores europeus e norte-americanos visando ao reescalonamento do pagamento da dívida foram bem sucedidos. Ademais, a solicitação de um crédito de US$125 milhões feita ao Fundo Monetário Internacional por Bulhões foi aprovada e o governo americano, através da Agency for International Development (USAID), concederia um empréstimo de mais de 50 milhões de dólares ao Brasil.

As negociações com a Amforp começaram no governo Goulart. Em 1963, Roberto Campos, então embaixador em Washington, assinara um acordo pelo qual o governo brasileiro comprometia-se a pagar US$135 milhões pela compra das empresas. A oposição dos setores nacionalistas, que consideravam o preço de compra exorbitante, levou Goulart a suspender o negócio. No governo Castelo Branco, a questão foi examinada por uma comissão, da qual Bulhões fazia parte, que concluiu ser o acordo de interesse nacional. Acompanhava a conclusão um projeto enviado ao Congresso, que, entre outros pontos, solicitava a garantia da operação pelo Tesouro e uma autorização à Eletrobrás para comprar as ações de propriedade estrangeira. Aprovada a solicitação pelo Congresso, em novembro de 1964 a transação foi efetivada em Washington. Em seguida, a USAID concedeu um empréstimo de US$20 milhões para expandir a usina de Peixoto e o BIRD liberou US$50 milhões para ampliar a capacidade das usinas das ex-subsidiárias da Amforp.

Em março de 1967, com a posse do general Artur da Costa e Silva na presidência, Bulhões deixou o Ministério da Fazenda. A partir de então, atuou como membro do CNE e do Conselho Monetário Nacional, e, na área acadêmica, tornou-se catedrático da Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de presidente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. Foi também presidente da Companhia Progresso do Estado da Guanabara (1971-1973) e do Banco do Estado da Guanabara (1971-1974).

Faleceu no dia 13 de outubro de 1990, no Rio de Janeiro.

Era casado com Ieda Silva de Bulhões, com quem teve quatro filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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