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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Josè Eduardo Prado Kelly

José Eduardo Prado Kelly nasceu em Niterói, no dia 10 de setembro de 1904, filho de Otávio Kelly e de Angelina Prado Kelly.

Diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1925, nesse mesmo ano começou a trabalhar no jornal A Noite. Partidário da Aliança Liberal, organização estruturada em torno da candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República, com a vitória da Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder, foi nomeado em 1931 redator-chefe do Departamento Oficial de Publicidade, tornando-se secretário da Imprensa Nacional em 1932.

Em maio de 1933, elegeu-se à Assembléia Nacional Constituinte (ANC) pelo Rio de Janeiro na legenda da União Progressista Fluminense. Líder da bancada fluminense na Constituinte de 1934, em outubro elegeu-se deputado federal. Encerrando o mandato de constituinte em maio de 1935, iniciou a seguir mandato ordinário na Câmara dos Deputados. Em junho de 1937 ingressou na União Democrática Brasileira, criada para apoiar a candidatura oposicionista Armando de Sales Oliveira à presidência da República. Entretanto, com a instauração do Estado Novo (10/11/1937), que, entre outras medidas, cancelou as eleições presidenciais marcadas para janeiro de 1938, Prado Kelly afastou-se da vida política, passando a dedicar-se ao seu escritório de advocacia.

Em 1945, com a desagregação do Estado Novo, foi um dos articuladores da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à sucessão presidencial e um dos fundadores, em abril, da União Democrática Nacional (UDN). Em 2 de dezembro, após a deposição de Vargas pelos militares (29/10/1945), elegeu-se à ANC pelo Rio de Janeiro. Nesse mesmo pleito, o general Eurico Dutra, do Partido Social Democrático (PSD), derrotou Eduardo Gomes, da UDN. Líder da UDN na Câmara em março de 1948, em agosto foi eleito presidente do partido.

Após malogradas tentativas da indicação de um candidato único, as eleições presidenciais de outubro de 1950 foram disputadas pelo ex-presidente Getúlio Vargas, lançado pela aliança Partido Trabalhista Brasileiro/Partido Social Progressista, pelo brigadeiro Eduardo Gomes, candidato de uma coligação liderada pela UDN e por Cristiano Machado, do PSD e outros partidos menores. Prado Kelly deixou a presidência da UDN para candidatar-se ao governo do Estado do Rio. No pleito de 3 de outubro de 1950, Getúlio recebeu em torno de 3,8 milhões votos contra cerca de 2,3 milhões dados a Eduardo Gomes. Na eleição para governador fluminense, Prado Kelly foi derrotado por Ernâni Amaral Peixoto, genro de Vargas.

Com a volta de Vargas ao poder, a UDN aglutinou a oposição conservadora ao presidente. Em 5 de agosto de 1954, foi morto o major-aviador Rubens Vaz, num atentado cujo alvo era o jornalista Carlos Lacerda. As investigações que se seguira atestaram o envolvimento de membros da guarda pessoal de Getúlio no atentado. A crise culminou com o suicídio do presidente em 24 de agosto. No mesmo dia, o vice-presidente João Café Filho assumiu a presidência. Em outubro, Prado Kelly voltou à Câmara dos Deputados, elegendo-se pelo Rio de Janeiro na legenda da UDN. Empossado em fevereiro de 1955, em abril deixou a Câmara para assumir a pasta da Justiça. A essa altura, a sucessão presidencial era o tema central das discussões na política nacional. Realizado o pleito em 3 de outubro, a UDN foi mais uma vez derrotada, dessa vez pela chapa encabeçada pelo pessedista Juscelino Kubitschek, governador de Minas Gerais, tendo como a vice João Goulart, presidente nacional do PTB.

Logo após a proclamação dos resultados, teve início uma intensa campanha contra a posse dos eleitos. A instabilidade política chegou ao auge com a deflagração do Movimento do 11 de Novembro. Iniciado na madrugada de 11 de novembro, quando tropas do Exército ocuparam a capital federal e tendo como principal articulador o ministro da Guerra, general Henrique Lott, o movimento promoveu o afastamento do presidente interino Carlos Luz – que substituíra Café Filho, licenciado do cargo por doença –, colocando em seu lugar o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Exonerado da pasta da Justiça no próprio dia 11, Prado Kelly tomou parte nas conversações que visavam promover a volta de Café Filho ao poder. Porém, no dia 21, mesmo após ter recebido alta, o Congresso aprovou o impedimento de Café Filho, mantendo Nereu Ramos na presidência. Em dezembro, Prado Kelly reassumiu o mandato, encerrado em janeiro de 1959, no final da legislatura.

Presidente do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil, de 1960 a 1962, em novembro de 1965 – durante o governo do marechal Humberto Castelo Branco (1964-1967), o primeiro do regime militar instalado no Brasil em abril de 1964, após a derrubada do presidente João Goulart –, tornou-se membro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ocupou um assento no STF até janeiro de 1968, quando se aposentou. Entre 1973 e 1978, foi membro da Comissão Jurídica Interamericana, ligada à Organização dos Estados Americanos.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 11 de novembro de 1986.

Foi casado com Sílvia Dantas do Prado Kelly, com quem teve um filho, e mais tarde com Maria de Lurdes do Prado Kelly.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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