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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Eugênio Gudin

Eugênio Gudin Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 1886.

Formou-se em engenharia em 1905 pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, trabalhou em empresas estrangeiras atuantes no Brasil, como a Light, a Pernambuco Tramway and Power Co. e a Great Western of Brazil Railway Co. , da qual seria diretor-geral por quase 30 anos. Passou a interessar-se por economia na década de 20 e, entre 1924 e 1926, publicou seus primeiros artigos sobre matéria econômica em O Jornal, do Rio de Janeiro, do qual também foi diretor. Em 1929, tornou-se diretor da Western Telegraph Co., cargo que ocuparia até 1954.

A partir da década de 30, passou a integrar importantes órgãos técnicos e consultivos de coordenação econômica criados pelo governo federal. Participou da fundação, em 1938, da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, mais tarde incorporada à Universidade do Brasil, instituição na qual exerceria o magistério até aposentar-se, em 1957. Por seu pioneirismo no ensino superior de economia no Brasil, foi designado pelo ministro da Educação, Gustavo Capanema, a redigir, em 1944, o projeto de lei que institucionalizava o referido curso no país.

Na década de 40, nos debates travados no interior dos órgãos técnicos do governo federal, Gudin apresentava-se como um crítico das medidas econômicas protecionistas e um defensor decidido da liberdade de atuação para o capital estrangeiro, da igualdade de tratamento dado a este e ao capital nacional, e da abolição das restrições à remessa de lucros para o exterior. Nesse sentido, protagonizou acirrado debate com o industrial paulista Roberto Simonsen, defensor de uma planificação econômica estatal que protegesse a indústria nacional e restringisse a atuação do capital estrangeiro no país. Adepto do monetarismo ortodoxo, para Gudin os problemas da economia brasileira deveriam ser enfrentados por um rígido controle da inflação baseado na redução de investimentos públicos e na restrição ao crédito.

Em 1943, participou do I Congresso Brasileiro de Economia e, no ano seguinte, foi escolhido delegado brasileiro à Conferência Monetária Internacional, realizada em Bretton Woods (EUA), que decidiu pela criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD). Essa conferência foi marcada pela retomada dos postulados liberais, defendidos por Gudin, na condução das relações de comércio internacional, em contraste com o predomínio de políticas protecionistas nos anos anteriores. Entre 1951 e 1955, representou o governo brasileiro junto ao FMI e ao BIRD.

No início da década de 50, integrou a Comissão de Anteprojeto da Legislação do Petróleo, tendo discordado das restrições impostas a atuação do capital estrangeiro no setor. Em seguida, colocou-se frontalmente contrário à criação da Petrobrás e à instituição do monopólio estatal do petróleo. Ligado à União Democrática Nacional (UDN), apoiou decididamente, em artigos na imprensa, a campanha promovida contra Vargas, que acabaria por levar ao suicídio do presidente, em agosto de 1954.

No mês seguinte, com a posse do vice-presidente João Café Filho, foi nomeado ministro da Fazenda. Promoveu, então, uma política de estabilização econômica baseada no corte das despesas públicas e na contenção da expansão monetária e do crédito, o que provocou a crise de setores da indústria. Sua passagem pela pasta da Fazenda foi marcada, ainda, pela decretação da Instrução 113, da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que facilitava os investimentos estrangeiros no país, e que seria largamente utilizada no governo de Juscelino Kubitscheck. Foi por determinação sua também que o imposto de renda sobre os salários passou a ser descontado na fonte.

Deixou o ministério em abril de 1955. No ano seguinte, passou a integrar a diretoria da Associação Econômica Internacional, entidade que presidiu a partir de 1959.

Durante o governo de João Goulart, publicava sistematicamente artigos na imprensa contra o presidente, defendendo a sua deposição. Nesse sentido, apoiou o golpe militar de março de 1964, que afastou Goulart do poder.

Vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas entre 1960 e 1976, instituição com a qual mantinha vínculos desde a década de 40, foi um dos responsáveis pela implantação, nessa instituição, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE), dos quais tornou-se diretor.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1986.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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