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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas

<<  Edmundo de Macedo Soares

Edmundo de Macedo Soares e Silva nasceu no Rio de Janeiro, em 1901. Diversos membros de sua família ocuparam postos importantes na política brasileira nesse século.

Militar, ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1918. Em 1922, tomou parte no levante militar deflagrado no Rio de Janeiro contra o governo de Epitácio Pessoa. Esse levante inauguraria o ciclo de revoltas tenentistas que nos anos seguintes agitariam o cenário político brasileiro. Derrotado o levante de 1922, Macedo Soares foi preso. Permaneceria encarcerado até março de 1925, quando conseguiu fugir do presídio da Ilha Grande e se exilou na Europa.

Formou-se em engenharia na França, tornando-se especialista em metalurgia. Logo após a Revolução de 1930, foi anistiado e retornou ao Brasil. Durante a década de trinta, participou ativamente dos debates promovidos acerca do desenvolvimento da siderurgia nacional. Convidado pelo governo, deu inúmeros pareceres e tomou parte em conferências sobre o assunto. Em janeiro de 1931, passou a integrar a Comissão Militar de Estudos Metalúrgicos. Em agosto desse ano, tornou-se membro da Comissão Nacional de Siderurgia, subordinada ao ministério da Guerra, nela assumindo os cargos de relator e secretário. Os membros dessa comissão, após realizados os estudos técnicos necessários, passaram a defender a viabilidade e a necessidade de construção de uma grande usina siderúrgica no Brasil. Até então, a siderurgia brasileira se resumia a umas poucas e pequenas usinas baseadas no carvão vegetal, que nem de longe supriam as necessidades do país. O projeto de uma grande siderúrgica nacional foi, então, encampado também por industriais e militares. Esses últimos consideravam que somente a partir da implantação da grande siderurgia o Brasil poderia, de fato, resover adequadamente as questões relativas ao seu desenvolvimento econômico e à sua segurança nacional..

O projeto que Edmundo Macedo Soares apresentou ao Conselho Técnico de Economia e Finanças, em 1938, serviria de base, anos depois, ao projeto definitivo de construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), localizada em Volta Redonda (RJ). Nesse documento, sugeria que a construção da usina fosse feita a partir de uma aliança entre capitais nacionais e estrangeiros. Com a finalidade de obter recursos que viabilizassem o projeto, foi enviado pelo governo à Europa e aos Estados Unidos. Nesse último país chegou a avançar negociações com a United States Steel. Pouco depois, porém, essa empresa recuaria em seus propósitos de investir no Brasil, o que levaria Vargas a decidir-se pela construção de uma usina siderúrgica estatal. A participação do capital estrangeiro nesse novo projeto ficaria restrita à concessão de empréstimos ao governo brasileiro para que o seu plano siderúrgico pudesse ser concretizado. Em 1939, Edmundo Macedo Soares foi empossado na presidência da recém-criada Comissão Preparatória do Plano Siderúrgico e, junto com Guilherme Guinle e Ari Torres, esteve nos Estados Unidos negociando empréstimos junto ao Eximbank.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) seria criada em abril de 1941. Como diretor técnico da empresa, Macedo Soares acompanhou desde então todas as etapas de construção da usina, que entrou em funcionamento em junho de 1946.

Com a posse do general Eurico Gaspar Dutra na presidência da República, em 1946, foi nomeado ministro da Viação e Obras Públicas, cargo que exerceu até outubro daquele ano. Em seguida, elegeu-se governador do estado do Rio de Janeiro apoiado por uma ampla coligação, que incluía os três maiores partidos da época: o PSD, a UDN e o PTB. Empossado em janeiro de 1947, deixou o cargo em janeiro de 1951. Em seguida, voltou a colaborar com o governo federal na questão da siderurgia. Foi presidente da Acesita, em Minas Gerais e, durante o governo de Café Filho (1954-1955), dirigiu a CSN. Em 1959, assumiu a presidência do conselho consultivo da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). Durante a década de 60 dedicou-se primordialmente à iniciativa privada.

Em 1964, apoiou o golpe militar que afastou João Goulart da presidência da República. Em dezembro desse ano, foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Assumiu ainda, nessa mesma época, a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Durante o governo Costa e Silva ocupou o ministério da Indústria e Comércio. Voltou, em seguida, a dedicar-se à iniciativa privada.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1989.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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