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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas

E ele voltou... o segundo governo Vargas > CPI da Última Hora

CPI da Última Hora

Voltando ao poder pelo voto popular, Getúlio encontrou forte oposição por parte de diversas correntes políticas e também da grande imprensa. Num contexto de isolamento publicitário nasceu a idéia de criar um jornal que fosse o porta-voz das realizações do governo. O jornalista Samuel Wainer, que conhecera Vargas em São Borja quando fazia uma série de reportagens para os Diários Associados e que se tornou uma pessoa ligada por laços de amizade a Getúlio e à sua família, foi o responsável por aquela iniciativa, fundando em 12 de junho de 1951 o jornal Última Hora.

Desde sua fundação a Última Hora começou por revolucionar o periodismo carioca (e posteriormente o paulista) com uma nova concepção jornalística, modernas máquinas e os melhores salários no mercado, o que, em conseqüência, arregimentou para seus quadros excelentes profissionais da área. O sucesso inegável do jornal ocorreu simultaneamente a uma campanha contra seu fundador. O grupo Wainer, composto pela Companhia Paulista Editora e de Jornais S.A., pela Editora Érica, pelo Rádio Clube e pela Última Hora, foi acusado por Carlos Lacerda, parlamentar da União Democrática Nacional (UDN) e proprietário do diário Tribuna da imprensa, de favoritismo por parte dos órgãos oficiais, em especial do Banco do Brasil, no tocante à concessão de créditos ao grupo. Um dos pontos levantados nas denúncias era a dúvida quanto à nacionalidade de Wainer, uma vez que a lei brasileira não permitia que estrangeiros fossem proprietários de empresas jornalísticas.

A forte ligação de Wainer com Getúlio alimentava toda a campanha liderada pela Tribuna da imprensa. Alvo de tantas acusações, Samuel Wainer sugeriu a Getúlio a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a finalidade de averiguar as operações de crédito realizadas entre o Grupo Wainer e o Banco do Brasil presidido naquele momento por Ricardo Jaffet. A CPI formou-se a partir da resolução nº 313, de 3 de junho de 1953, juntamente com uma outra, esta oriunda da resolução nº 314, instaurada para investigar o montante de cruzeiros das operações efetuadas entre o Banco do Brasil e as empresas jornalísticas no período 1943 a 1953.

Castilho Cabral (à direita) presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito recebe o ministro da Educação e Saúde Antonio Balbino (ao centro), ex-membro da Comissão. Rio de Janeiro (DF), jun. 1953. A composição das duas CPIs era a mesma, ambas presididas por Carlos Castilho Cabral. Durante os cinco meses de trabalho da CPI sobre a Última hora foram ouvidas 27 testemunhas. Samuel Wainer e Carlos Lacerda prestaram dois depoimentos, que se transformaram, respectivamente, nas publicações Livro branco contra a imprensa amarela e Preto e branco. Wainer defendeu-se das acusações declarando que seu sucesso deveu-se, basicamente, à ajuda financeira recebida de amigos pessoais, como o conde Matarazzo, em São Paulo, e que sua ligação com Vargas certamente lhe trouxe algumas facilidades de contatos, como traria a qualquer pessoa, mas que jamais recebeu privilégios por parte do governo.

O motivo inicial da campanha contra o grupo Wainer era combater o sucesso da Última hora e a ameaça que este significa para os outros jornais, porém, o ‘escândalo Wainer’ foi, sem dúvida, mais uma investida da oposição contra o governo Vargas. Antevendo que os resultados do inquérito sobre a Última hora apontariam a culpa formal do governo, a oposição chegou mesmo a sugerir o impeachment do presidente da República.

Ao encerrarem seus trabalhos em novembro de 1953, as CPIs concluíram pela existência de irregularidades nas transações de crédito do Banco do Brasil com as empresas jornalísticas em geral, e não exclusivamente com as do grupo Wainer. A maioria das empresas jornalísticas do país, de fato, gozava de concessões advindas desse banco. Mesmo pensando sobre Wainer várias acusações, tais como favoritismo do governo, concorrência desleal e a de devedor insolvente, nada foi provado que pudesse propiciar à oposição uma peça acusatória para o impeachment de Vargas.

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