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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

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Valdomiro Castilho de Lima nasceu no Rio Grande do Sul, em 1873.

Militar, iniciou sua carreira no regimento da Guarnição de Fronteira de Missões (RS), em 1890. Nesse mesmo ano, ingressou na Escola Tática e de Tiro de Rio Pardo (RS). Em 1893, combateu, ao lado das forças legalistas, a Revolução Federalista deflagrada no Rio Grande do Sul contra o governo de Floriano Peixoto. Em 1898, transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Militar da Praia Vermelha.

De volta ao seu estado natal, elegeu-se deputado estadual em 1904. Reeleito, exerceu o mandato até 1913, quando retornou às atividades militares. Em 1920, matriculou-se na Escola de Estado-Maior do Exército.

Em julho de 1922, eclodiu no Rio de Janeiro o primeiro dos levantes tenentistas que marcariam a década de 20 no Brasil. Por questões estritamente disciplinares, Valdomiro Lima chegou a participar da repressão ao movimento. Em outubro daquele ano, assumiu o comando do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha. Suas simpatias pelo tenentismo, contudo, logo se tornaram evidentes e, por conta disso, acabou sendo reformado e preso. Permaneceu na prisão de 1923 a 1925. Libertado, manteve-se algum tempo afastado das atividades políticas, retomando-as somente em 1929, quando se filiou à Aliança Liberal.

Após a derrota eleitoral da Aliança Liberal, participou das operações militares que deram início à Revolução de 1930, em Porto Alegre. Comandou, então, as tropas revolucionárias que ocuparam o quartel da 3ª Região Militar, na capital gaúcha, e, em seguida, esteve à frente de uma coluna de quatro mil homens que atravessou o estado de Santa Catarina, atingindo o Paraná.

Após o triunfo da revolução, foi reincorporado à ativa no Exército com a patente de general-de-divisão. Em 1932, comandou, juntamente com o general Góes Monteiro, a repressão ao Movimento Constitucionalista deflagrado em São Paulo contra o governo de Vargas. Derrotados os revoltosos paulistas, foi nomeado por Vargas governador militar em São Paulo, acumulando ainda o comando da 2ª Região Militar (2ªRM), sediada no estado. Em janeiro de 1933, passou a ostentar o cargo de interventor federal e não mais o de governador militar, ao mesmo tempo em que deixava o comando da 2ª RM.

Procurou fazer um governo de conciliação com as forças políticas tradicionais de São Paulo, o que não evitou que fosse hostilizado na maior parte do tempo pela grande maioria dessas forças. No Congresso Revolucionário realizado no Rio de Janeiro, em novembro de 1932, ao qual compareceram o próprio presidente Vargas e vários membros de seu governo, foi homenageado com uma moção de louvor. No congresso, defendeu a representação corporativa, a eleição indireta para presidente e governadores de estado e a adoção de uma legislação trabalhista e social.

No governo paulista, por sinal, empenhou-se para que a nova legislação trabalhista fosse aplicada no estado. Em sua tentativa de aproximação política com a sociedade paulista, estimulou a sindicalização do patronato e da classe trabalhadora, sempre em moldes corporativos. Com vistas às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, convocadas por Vargas, organizou dois partidos políticos de âmbito estadual: o Partido da Lavoura, que buscava atrair o apoio dos cafeicultores; e o Partido Socialista Brasileiro, ligado aos setores operários. Ambos, porém, tiveram péssimo desempenho na eleição realizada em maio de 1933, o que acabou determinando o seu afastamento da interventoria paulista. Para o seu lugar, Vargas nomeou Armando de Sales Oliveira, civil e paulista, nome de bom trânsito entre os líderes da Chapa Unida por São Paulo, que vencera a eleição por larga margem.

Retornou então ao Exército. Em 1935, apoiou as medidas repressivas tomadas pelo governo em represália ao levante esquerdista de novembro, promovidos por setores da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Em dezembro de 1936, assumiu o comando da 1ª Região Militar (1ª RM), sediada no Rio de Janeiro. Porém, sua postura contrária à intervenção federal no Rio Grande do Sul para afastar o governador Flores da Cunha colocou-o em atrito com o governo, particularmente com o general Góes Monteiro, que acabaria nomeado para a chefia do Estado-Maior do Exército. Foi afastado do comando da 1ª RM em junho de 1937.

Morreu em Petrópolis (RJ), em 1938.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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