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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
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Antônio de Siqueira Campos nasceu em Rio Claro (SP), em 1898.

Militar, concluiu o curso da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1918. Foi um dos líderes, em julho de 1922, da revolta do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, contra o governo federal, que deu início aos levantes tenentistas que marcaram a década de 20 no Brasil. Nessa ocasião, foi gravemente ferido. No ano seguinte, após deixar a prisão em virtude de um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Militar (STM), exilou-se no Uruguai. Dedicou-se, então, às atividades de comerciante em Montevidéu e, posteriormente, em Buenos Aires.

Em 1924, retornou clandestinamente ao Brasil e retomou as atividades revolucionárias sublevando uma guarnição do Exército em São Borja (RS). Em seguida, juntou-se ao grupo de rebeldes liderados por Luís Carlos Prestes que haviam se levantado contra o governo em outros pontos do interior gaúcho. Derrotados, seguiram para o Paraná, onde se juntaram às forças que haviam sublevado a capital paulista sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e pelo major da Força Pública paulista, Miguel Costa. Da junção desses dois agrupamentos, em abril de 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. A Coluna dividia-se em quatro destacamentos, cabendo a Siqueira Campos o comando de um deles.

Em fevereiro de 1927, após quase dois anos de marcha, os revolucionários resolveram interromper a luta armada e se internaram em território boliviano. Siqueira Campos, em seguida, fixou-se em Buenos Aires, dedicando-se a reagrupar os revolucionários brasileiros exilados na Argentina e no Uruguai. Para solucionar as dificuldades financeiras enfrentadas pelos conspiradores, propôs pedir ajuda à Internacional Comunista, proposta que foi rejeitada pelos demais líderes, inclusive por Prestes. No final da década, realizou algumas viagens clandestinas ao Brasil com o objetivo de aliciar jovens militares para a causa revolucionária.

Em 1929, iniciaram-se os entendimentos entre os militares rebeldes e políticos dissidentes que formaram a Aliança Liberal com o objetivo de impedir que Washington Luís fizesse seu sucessor na presidência da República. Apesar das restrições que fazia a uma aliança com representantes das oligarquias que por anos havia combatido, Siqueira Campos foi designado para preparar um levante na capital paulista. Descoberto pela polícia, foi obrigado a fugir. De volta a Buenos Aires, tentou, em vão, convencer Prestes a apoiar o movimento, ainda que concordasse com várias das restrições que esse fazia aos membros da Aliança Liberal, incluindo o próprio Getúlio Vargas.

Morreu em maio de 1930, antes da revolução ser deflagrada, quando o avião em que retornava ao Brasil caiu nas águas do rio da Prata.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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