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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

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Miguel Reale nasceu em São Bento do Sapucaí (SP), em 1910.

Advogado e jurista, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1933. Ainda na época de estudante, filiou-se à Ação Integralista Barsileira (AIB), organização política de inspiração fascista, fundada por Plínio Salgado, em 1932. Ferrenho crítico do Estado e da democracia liberal, por ele apontados como incapazes de resolver de forma satisfatória o problema da representação política, Reale veio a tornar-se um dos mais destacados teóricos do movimento integralista. Foi designado membro do Conselho Supremo da AIB e chefe do departamento nacional de doutrina da organização, posto no qual controlava toda a produção intelectual divulgada pelos integralistas. Entusiasta do modelo corporativo de organização social e estatal, Reale contribuiu, junto com Plínio Salgado, para que a AIB se aproximasse mais do modelo de fascismo italiano e português do que do nazismo alemão, como defendia Gustavo Barroso, outro importante líder integralista.

Em 1933, candidatou-se, sem sucesso, a uma vaga na Asasembléia Nacional Constituinte pela AIB, em São Paulo. Em janeiro de 1936, assumiu a direção da revista integralista Panorama. Em outubro desse mesmo ano, fundou Ação, jornal dos integralistas paulistas.

Não tomou parte do levante integralista de maio de 1938, deflagrado com o objetivo de afastar Vargas da presidência da República. Anos mais tarde chegou a ser preso, quando o governo brasileiro resolveu, no contexto da Segunda Guerra Mundial, declarar guerra aos países do Eixo.

Em 1945, com a volta do país ao regime democrático, participou da fundação do Partido Popular Sindicalista (PPS), que no ano seguinte se incorporaria ao Partido Social Progressista (PSP), liderado por Ademar de Barros. Assumiu, então, a vice-presidência do PSP. Com a vitória de Ademar de Barros para o governo paulista, em 1947, foi nomeado secretário estadual de Justiça e Negócios Interiores. Entre 1949 e 1950, foi reitor da Universidade de São Paulo (USP).

Ainda em 1950, foi derrotado na disputa por uma vaga no Senado, pelo estado de São Paulo. Em 1951, filiou-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN). Logo em seguida, porém, abandonaria a vida partidária, dela se mantendo afastado por muitos anos. Dedicou-se, então, exclusivamente às atividades intelectuais, tendo fundado a Revista Brasileira de Filosofia.

Retornou à vida partidária em 1962, quando voltou a ocupar a Secretaria de Justiça de São Paulo, mais uma vez no governo de Ademar de Barros. Em 1964, cumpriu importante papel nas articulações que levaram à deposição do presidente João Goulart e à implantação da ditadura militar no país. Nos anos seguintes, foi colaborador do regime militar, principalmente na elaboração da Emenda Constitucional de 1969.

Entre 1969 e 1973, voltou a ocupar o cargo de reitor da USP. Em 1975, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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