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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
<<  José Carlos de Macedo Soares

José Carlos de Macedo Soares nasceu em São Paulo, em 1883. Formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1905. Em 1923 foi eleito presidente da Associação Comercial de São Paulo, órgão representativo dos comerciantes e industriais paulistas. No ano seguinte, eclodiu na capital paulista um levante tenentista liderado pelo general Isidoro Dias Lopes, ficando a cidade sobre o controle dos rebeldes durante três semanas. Macedo Soares teve, como presidente da Associação Comercial, papel decisivo no episódio. Apesar de manifestar a sua oposição ao levante, coube a ele a iniciativa de estabelecer canais de negociação entre os rebeldes e as autoridades constituídas, principalmente após o presidente do estado, Carlos de Campos, ter abandonado a cidade.

Preocupado com os aspectos relacionados à segurança e ao abastecimento da cidade, intermediou contatos entre os líderes do movimento e o prefeito Firmiano Pinto, que também teve atuação destacada no episódio. Junto ao governo federal, Macedo Soares empreendeu gestões no sentido de evitar o prosseguimento dos bombardeios desferidos pelas forças legalistas contra a cidade, que atingiam a população civil. Por conta disso chegou a ser criticado pelo comando militar legalista. Após a derrota e retirada dos revoltosos da capital, foi acusado de cumplicidade no levante e ficou preso por dois meses. Em seguida exilou-se na Europa, onde viveu por cerca de três anos.

Em 1930 deu apoio ativo à candidatura presidencial de Getúlio Vargas, lançada pela Aliança Liberal. Após a deposição de Washington Luís em outubro daquele ano, e antes mesmo da posse de Vargas, participou das negociações entre os membros paulistas da Aliança Liberal em torno da formação do novo secretariado estadual, cabendo a ele próprio a Secretaria de Justiça. Esse secretariado foi mantido por Vargas, mas os paulistas tiveram de aceitar, em contra-partida, a imposição do nome do tenente João Alberto para a interventoria federal no estado.

Em pouco tempo, as relações entre João Alberto e seu secretariado se deterioraram, levando à demissão coletiva de todos os secretários 40 dias após terem assumido seus postos. Macedo Soares continuou, porém, ativo nas articulações em torno dos rumos da política paulista nos meses seguintes. Em julho de 1931 apoiou a indicação de Laudo de Camargo como substituto de João Alberto.

Durante o ano de 1932 desempenhou missões diplomáticas na Europa, e por isso não teve participação no movimento constitucionalista promovido pelas forças políticas paulistas naquele ano. Ao retornar ao Brasil, elegeu-se deputado federal constituinte por São Paulo nas eleições realizadas em maio de 1933. Membro da Chapa Única por São Paulo Unido, que congregava os partidários do movimento constitucionalista que haviam escapado do exílio, Macedo Soares na verdade buscava cumprir um papel de mediador entre as forças paulistas e o governo federal. Isso, contudo, não o impedia de manisfestar claramente sua oposição ao general Valdomiro Lima, interventor nomeado por Vargas após a derrota dos rebeldes no ano anterior. Seu projeto conciliador foi provisoriamente vitorioso quando Vargas, acatando a reivindicação de um interventor civil e paulista, nomeou Armando de Sales Oliveira para substituir Valdomiro Lima, em agosto de 1933.

No ano seguinte, Armando Sales promoveu uma reformulação no quadro político-partidário paulista ao criar o Partido Constitucionalista, a princípio alinhado ao governo federal. Macedo Soares, filiado ao partido, foi então nomeado por Vargas para o Ministério das Relações Exteriores em julho de 1934, permanecendo no cargo até janeiro de 1937. Nesse período passou a presidir o recém-criado Instituto Brasileiro de Estatística, posteriormente rebatizado de Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), à frente do qual permaneceria até 1951.

Em maio de 1937, meses após deixar o ministério das Relações Exteriores, assumiu a pasta da Justiça. Logo após assumir o novo posto, decretou a libertação de mais de 400 presos políticos sem processo formado, acusados de envolvimento com o levante esquerdista de 1935. Esse epísódio, que ficou conhecido como a "macedada", foi acompanhado pela suspensão do estado de guerra, que vinha sendo sucessivamente prorrogado pelo governo federal desde março do ano anterior, dando uma certa impressão de liberalização do regime. Contudo, essa impressão seria falsa já que, ainda no fim de outubro de 1937, o estado de guerra voltaria a vigorar, com o apoio de Macedo, após a divulgação pelo governo do Plano Cohen, um documento forjado por integralistas e membros da alta cúpula militar contendo um suposto plano comunista para a tomada do poder no país. Na verdade, o Plano Cohen serviria de pretexto para o golpe de estado decretado por Vargas em novembro, instaurando a ditadura do Estado Novo. Alegando problemas de saúde, Macedo Soares demitiu-se do ministério dias antes do golpe ser desfechado, sendo substituído por Francisco Campos, o principal ideólogo do novo regime.

Membro da Academia Brasileira de Letras em 1937, e seu presidente entre 1942 e 1944, deu apoio, em 1945, à candidatura presidencial do general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de Vargas durante o Estado Novo. Com a deposição de Vargas e a posse de José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, em outubro daquele ano, foi nomeado por esse último para o cargo de interventor federal em São Paulo. Permaneceu nesse posto até março de 1948, quando passou o governo do estado a Ademar de Barros, eleito meses antes.

Em novembro de 1955 voltou a dirigir o Ministério das Relações Exteriores durante a presidência interina de Nereu Ramos, sendo mantido no cargo após a posse de Juscelino Kubitscheck, no ano seguinte. Deixou o ministério em 1958, passando, então, a dedicar-se aos negócios privados e à vida acadêmica.

Morreu em São Paulo, em 1968.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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