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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
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Jorge Leal Amado de Faria nasceu em Itabuna (BA), em 1912.

Jornalista e escritor, integrou o movimento modernista baiano escrevendo, a partir de 1928, nas revistas Samba, Meridiano e A Semana. No ano seguinte foi colaborador no suplemento literário de O Jornal, órgão vinculado à campanha da Aliança Liberal.

Em 1930 mudou-se para o Rio de Janeiro e no ano seguinte matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Também em 1931, publicou seu primeiro romance O país do carnaval. Em 1932 integrou-se à Juventude Comunista, setor do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), voltado para o meio estudantil. Ainda em 1932 retornou a Ilhéus, entrando de novo em contato com a realidade social da região cacaueira. Dessa sua experiência resultou o romance Cacau, publicado em 1933 mas que teve a sua edição apreendida. Em 1934, já de volta ao Rio de Janeiro, tornou-se membro do comitê dirigente da Juventude Comunista. Em 1935 concluiu o curso universitário, mas jamais chegou a exercer a advocacia.

Filiado à Aliança Nacional Libertadora (ANL) - frente política que reunia comunistas, socialistas e a ala esquerda do tenentismo, a partir de uma plataforma de combate ao fascismo e ao imperialismo - foi redator do A Manhã, um dos principais órgãos de divulgação do programa e das atividades daquela organização. A ANL foi posta na ilegalidade pelo governo em julho de 1935, mas alguns de seus membros, principalmente os comunistas, permaneceram na luta política, ainda que na clandestinidade. Após a derrota de insurreição comunista, em novembro de 1935, Jorge Amado foi acusado de subversão na onda repressiva que se seguiu.

Durante quase todo o ano de 1937 viajou pelo México, onde proferiu conferências sobre política e literatura brasileira, e pelos EUA. De volta ao Brasil ainda em 1937 recebeu a notícia de que o romance de sua autoria Capitães de Areia, que acabara de ser lançado, fora apreendido em todo o país e queimado. Em novembro, foi preso em Manaus e enviado para o Rio de Janeiro, onde, após ter sido submetido a interrogatórios, foi posto em liberdade.

A partir de 10 de novembro de 1937, quando foi instaurado o Estado Novo, e até 1943, seus livros já editados foram retirados de circulação. Após seguidas prisões, viajou novamente para o exterior, vivendo entre 1941 e 1942 no Uruguai e na Argentina, onde escreveu a biografia do dirigente do PCB, Luís Carlos Prestes, O cavaleiro da esperança, publicada nesse último ano. Posteriormente morou na França e na União Soviética, até o seu retorno ao Brasil. Ao voltar, foi detido e, em outubro de 1943, após três meses de prisão, obteve sua liberdade, condicionada, todavia, pela obrigatoriedade de permanecer na Bahia.

Em janeiro de 1945 foi delegado da Bahia e um dos vice-presidentes do I Congresso Brasileiro de Escritores, promovido pela Associação Brasileira de Escritores. Este congresso, realizado em São Paulo, emitiu declaração em favor da democracia e das liberdades públicas, constituindo uma contundente tomada de posição contra o Estado Novo. Nessa ocasião, transferiu-se para São Paulo para dirigir o jornal Hoje. Com a desagregação do Estado Novo e a legalização do PCB, foi eleito nessa legenda por São Paulo à Assembléia Nacional Constituinte no pleito de dezembro de 1945.

Com a promulgação da Constituição de 1946, passou a exercer o mandato ordinário de deputado federal. Em maio de 1947, o PCB foi colocado na ilegalidade e, em decorrência dessa medida, Jorge Amado teve seu mandato cassado, assim como os demais parlamentares comunistas, em maio de 1948.

Nas décadas seguintes, produziu uma extensa obra e tornou-se um dos escritores brasileiros com maior prestígio no país e no exterior. Além das obras já citadas, destacam-se Jubiabá( (1935), Terras do Sem Fim (1943), São Jorge dos Ilhéus (1944), Os subterrâneos da Liberdade954), Gabriela Cravo e Canela (1958), Os velhos marinheiros (1961), Dona Flor e seus dois maridos (1966), Tenda dos Milagres (1966), Teresa Batista cansada de guerra (1972), Tieta do Agreste (1977), Menino grapiúna (1982).

Morreu em Salvador, Bahia, em 6 de agosto de 2001.

   

 

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