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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
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João Alberto Lins de Barros nasceu em Recife, em 1897.

Militar, ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1919. Participou da preparação do primeiro levante tenentista, ocorrido no Rio de Janeiro em 1922, embora não tenha tomado parte na insurreição propriamente dita. Mesmo assim foi preso por cinco meses. Após ser libertado, transferiu-se para o município de Alegrete (RS), onde retomou suas atividades conspirativas. Participou dos levantes deflagrados no interior do Rio Grande do Sul, a partir de outubro de 1924. Derrotados por forças fiéis aos governos federal e estadual, os rebeldes gaúchos se dirigiram ao estado do Paraná, onde se juntaram aos remanescentes do levante tenentista ocorrido na capital paulista em julho daquele ano. Da unificação das forças rebeldes paulistas e gaúchas nasceu a Coluna Prestes, exército guerrilheiro comandado por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, que percorreu o interior do Brasil durante cerca de dois anos em campanha contra o governo de Artur Bernardes. João Alberto desempenhou papel de relevo na Coluna, tendo sido o comandante de um dos quatro destacamentos em que se dividia o exército rebelde.

Após o fim da campanha da Coluna, em fevereiro de 1927, enquanto a maioria de seus membros exilou-se na Bolívia e na Argentina, João Alberto regressou ao Brasil, passando a viver na clandestinidade. Viveu então em Pernambuco e no Paraná. Mantendo-se como ativo conspirador, estabeleceu contato com os políticos da Aliança Liberal, coligação que reunia os grupos dirigentes dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba em torno da candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República. Com a derrota de Vargas no pleito realizado em março de 1930, passou a dedicar-se à preparação do movimento revolucionário que derrubou o presidente Washington Luís em outubro daquele ano, impedindo a posse do candidato eleito, o paulista Júlio Prestes.

Após a instalação do novo regime, foi nomeado por Vargas delegado militar da revolução e, posteriormente, interventor federal no estado de São Paulo, medida que abriu grave crise entre o novo governo e os grupos dirigentes daquele estado. Sua gestão à frente do governo paulista foi marcada por medidas polêmicas, como a autorização para o funcionamento do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), e a ameaça de confisco das fábricas que não acatassem as medidas sociais decretadas. Ao mesmo tempo, buscava aproximar-se dos cafeicultores. Junto com Miguel Costa, que passou a comandar a Força Pública estadual, organizou a Legião Revolucionária, partido político que buscava promover a mobilização de massas em apoio ao novo regime, entrando em confronto com as agremiações políticas tradicionais do estado. Por conta disso, seu governo, que se estendeu até julho de 1931, foi marcado por fortes tensões, agravadas pelo rompimento do Partido Democrático (PD) com o governo, ocorrida no mês de março.

Foi membro do Clube 3 de Outubro, agremiação que visava oferecer maior consitência à atuação política dos "tenentes" revolucionários, e também do Partido Autonomista do Distrito Federal, liderado por Pedro Ernesto. Em abril de 1932, assumiu a chefia de polícia do Distrito Federal, cargo que ocupou até o ano seguinte. Em 1934, elegeu-se deputado federal constituinte por Pernambuco, na legenda do Partido Social Democrático daquele estado. Por essa mesma agremiação obteve um mandato de deputado estadual constituinte pernambucano, em abril de 1935.

Nesse ano, recusou convite feito por Luís Carlos Prestes para ingressar na Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política de esquerda que se estruturou a partir de um programa de cunho antifascista e antiimperialista. Ainda em 1935, iniciou um período dedicado a missões diplomáticas, que se estendeu até o início da década seguinte. Entre 1941 e 1942, exerceu o cargo de embaixador do Brasil no Canadá.

Em setembro de 1942, no contexto da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, foi nomeado presidente da recém-criada Coordenação de Mobilização Econômica, que possuía amplos poderes para intervir nos mais diversos assuntos relativos a controle de preços, estabelecimento de metas de produção, abastecimento e planejamento do sistema de transportes. A partir do ano seguinte, passou a acumular a presidência da também recém-criada Fundação Brasil Central, cujo objetivo era promover o povoamento das regiões Norte e Centro-Oeste.

Em março de 1945, foi designado novamente para a chefia de polícia do Distrito Federal. Estimulado pelas mudanças então ocorridas no cenário internacional, passou a defender a redemocratização do país. Nesse sentido, opôs-se, como chefe de polícia, às manifestações do movimento queremista que reivindicavam a permanência de Vargas no poder. Sua substituição nesse cargo por Benjamin Vargas, irmão do presidente, foi o estopim para a deflagração do golpe promovido pela cúpula das Forças Armadas em outubro de 1945, que resultou no afastamento de Vargas da presidência. Nas eleições presidenciais realizadas a seguir, deu seu apoio à candidatura vitoriosa do general Eurico Gaspar Dutra, promovida por setores que haviam apoiado o Estado Novo.

Em 1947, elegeu-se vereador no Distrito Federal, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No início da década de 50, participou do segundo governo Vargas, ocupando cargos técnicos.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 1955.

   

 

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